Os serviços de entrega dos Correios estão sendo usados de forma criminosa pelo Comando Vermelho (CV) para abastecer o comércio de drogas, em Goiás. Apenas nesta semana foram realizadas duas apreensões de lança perfume e ecstasy na sede da empresa pública federal, em Goiânia. Em nota, os Correios informaram que atuam em parceria com os órgãos de segurança pública e fiscalização para prevenir o tráfego de itens ilícitos por meio do serviço postal. Confira a nota completa ao final.

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As apreensões foram realizadas em uma ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), realizada pela Polícia Federal (PF) e o Grupo de Radiopatrulha Aérea (Graer) da Polícia Militar de Goiás (PMGO). Conforme informado ao Jornal Opção pelas forças de segurança, os entorpecentes foram enviados pela facção carioca a partir da capital fluminense. 

“Eles [criminosos] estão migrando porque é difícil trazer drogas, como cocaína e maconha, já que o transporte é mais elaborado e são volumes maiores. Aí eles mandam comprimidos e outros tipos de drogas pelos Correios, que não possuem scanner em todas as unidades”, explicou o tenente do Graer, Guilherme Fonseca. 

A primeira apreensão ocorreu na terça-feira, 18, quando uma carga de ecstasy avaliada em R$ 40 mil foi interceptada pela corporação militar na sede da Agência de Correios do Jardim Novo Mundo. A droga estava disfarçada como uma encomenda de potes de cremes para cabelo. 

No dia seguinte, quarta-feira, 19, outra carga foi apreendida na empresa federal. Desta vez, a especializada da PM e a PF localizaram 207 frascos de lança perfume – cujo valor estimado é de mais de R$ 10 mil. 

As drogas foram interceptadas a partir da prisão de um membro do Comando Vermelho, que seria o responsável por receber as encomendas. As drogas tinham como destino o endereço do faccionado, que forneceu o nome verdadeiro aos Correios.

“É [disfarce das encomendas] para tentar macular o cheiro, dificultar a atuação da polícia com o uso de cães farejadores. As drogas já chegam nos Correios com o pacote fechado e, então, eles fazem uma declaração de conteúdo colocando o que querem, já que a encomenda não será aberta. Não tem nenhum controle quanto a isso”, afirmou Guilherme.  

Migração 

O tenente diz que o tráfico interestadual por meio de encomendas se fortaleceu devido a atuação das forças de segurança pública estaduais e federais, em Goiás. O número de apreensões e o consequente prejuízo ao crime organizado, fez com que os criminosos optassem por outras formas de comercializar drogas no estado sem precisar passar pelas rodovias em veículos particulares. 

“A gente atua muito forte nas fronteiras com o COD e, por isso, eles vão tentando outras alternativas. Essa migração é baseada no fortalecimento da fiscalização”, concluiu. 

Em nota, os Correios informaram que atuam em parceria com os órgãos de segurança pública e fiscalização para prevenir o tráfego de itens ilícitos por meio do serviço postal e que a empresa tem investido em ações preventivas para fortalecer ainda mais a integridade nos serviços postais.

Veja nota na íntegra:

Os Correios atuam em parceria com os órgãos de segurança pública e fiscalização para prevenir o tráfego de itens ilícitos por meio do serviço postal. No caso dessa operação, o empregado dos Correios percebeu a presença de conteúdo suspeito ao realizar fiscalização de rotina por meio de raio-x e, seguindo o protocolo da empresa para esse tipo de ocorrência, acionou a polícia que realizou a apreensão do material.

A empresa tem investido em ações preventivas para fortalecer ainda mais a integridade nos serviços postais.”