Com nova sentença, penas de serial killer já ultrapassam 300 anos

Juiz do caso destacou que crime de ex-vigilante causou abalo psicológico aos familiares da vítima além de uma sensação de insegurança em toda a sociedade goiana

Tiago Henrique foi condenado a mais 26 anos de reclusão pelo homicídio de Beatriz Cristina Oliveira Moura | Foto: Hernany  Cesar/ TJGO

Tiago Henrique se negou a falar durante julgamento pelo homicídio de Beatriz Cristina Oliveira Moura | Foto: Hernany Cesar/ TJGO

Na manhã desta quinta-feira (25/8) o serial killer Tiago Henrique Gomes da Rocha foi condenado a mais 26 anos de prisão, que devem ser cumpridos na Penitenciária Odenir Guimarães inicialmente em regime fechado. O ex-vigilante foi julgado pelo homicídio de Beatriz Cristina de Oliveira Moura, que ocorreu em 19 de janeiro de 2014.

Com a decisão deste julgamento, que foi o 13º a que Tiago foi submetido, a somatória das penas do serial killer chegou a 319 anos e 10 meses. Além dos homicídios, pesam sobre o ex-vigilante as condenações por roubo e porte ilegal de arma de fogo.

Ao ser interrogado pelo juiz Eduardo Pio Mascarenhas, que presidia a sessão, Tiago Henrique se manteve em silêncio e não respondeu nem o próprio nome. Desse modo, o promotor Maurício Gonçalves de Camargo exibiu o vídeo de depoimento do criminoso produzido em juízo durante audiência preliminar criminal.

No vídeo, como já publicado pelo Jornal Opção, o ex-vigilante afirma que não consegue lembrar de quantas pessoas tinha matado. Sobre o homicídio de Beatriz, Tiago diz se lembrar de passar pela avenida principal do setor onde ocorreu o crime. “Não me lembro da abordagem e de ter atingido a menina. Tinha ingerido muita bebida alcoólica. Não posso afirmar que mateia essa moça”, disse nas imagens. “Estou arrependido de tudo”, continuou.

Beatriz foi morta logo após sair de casa para comprar pão. Os jurados reconheceram a presença das qualificadoras do motivo torpe e da surpresa. Para o juiz, a culpabilidade do réu ficou comprovada uma vez que ele escolheu a vítima aleatoriamente, quando estava desprevenida, em via pública, efetuando um disparo certeiro.

Psicopatia

Durante os debates, o promotor do caso lembrou ainda do laudo feito pela Junta Médica do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) que considera Tiago Henrique como psicopata. “Ele tem uma falha de caráter. Ele não tem doença mental, é plenamente capaz de responder pelos seus atos”, disse.

O promotor reforçou, ainda, a tese de que o vigilante é o responsável pela morte de jovem Beatriz. “A autoria está definida. Não há dúvida de que foi ele. Temos o laudo de balística que mostra que a arma apreendida com ele foi a mesma que foi usada para matar Beatriz”, afirmou.

O advogado de Tiago, Ramon Cândido, questionou o laudo. “Ele é réu confesso, mas não concordo em falar que ele tem conhecimento dos seus atos, que é capaz de responder pelo que faz. Não é normal falar que um sujeito desse não tem nada”, argumentou.

Em sua sentença, o juiz do caso não só destacou o laudo da Junta Médica do TJGO como reforçou ainda a consequência do crime cometido pelo serial killer não só para a família da vítima quanto para toda a sociedade goiana.

“As consequências penais são gravíssimas, já que inquestionável o abalo psicológico provocado nos familiares da vítima, que era uma mulher jovem, e que tinha uma vida toda pela frente e que cuidava dos avós maternos. Ademais, o crime causou grande sensação de vulnerabilidade e insegurança na sociedade goiana já que conviveu, por vários meses, com a figura de um motoqueiro que cometia homicídios pela cidade”, frisou o juiz. (Com informações do Centro de Comunicação Social do TJ

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