Com nova proteção de vidro, plenário volta a abrigar sessões da Câmara Municipal de Goiânia

Vereadores criticam reforma e acusam presidência de querer isolar a população

Instalações de vidro de dois metros de altura causam polêmica na primeira sessão no plenário após reforma | Foto: Marcello Dantas / Jornal Opção

Instalações de vidro de dois metros de altura causam polêmica na primeira sessão no plenário após reforma | Foto: Marcello Dantas / Jornal Opção

As sessões da Câmara de Vereadores de Goiânia voltaram a ser realizadas em plenário nesta terça-feira (25/11), após quase um mês de reformas. Anteriormente, as reuniões estavam ocorrendo no auditório Jaime Câmara, anexo à Casa.

Hoje, a 17ª Legislatura do Poder Legislativo municipal chega à sua 101ª sessão. Presidente da Casa, Clécio Alves (PMDB) negou ao Jornal Opção Online que os ajustes no local tenham sido feitos para tentar impedir o contato da população com os vereadores. “Se eu tivesse essa intenção, teria levado os vidros até o teto”, pontuou. O plenário conta agora com uma proteção de vidro blindex de cerca de dois metros de altura, novo carpete — o antigo era inflamável — e nova iluminação.

Questionado se a nova proteção pretende conter os ânimos de possíveis protestos em projetos polêmicos que tramitam na Câmara, como o do reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU/ITU), o peemedebista relatou que quando foi firmado acordo com o Ministério Público de Goiás (MPGO), não se pensava na votação da matéria.

Para o oposicionista Elias Vaz (PSB), a reforma tem um simbolismo negativo. “Discordo totalmente de gastar quase R$ 50 mil com a proteção”, avaliou. O petista Tayrone di Martino, disse que a altura impede a tranquilidade do cidadão que assiste as sessões. “Repudio a obra e peço que registrem minha insatisfação em ata”, pontuou.

Já o vereador Djalma Araújo (SD) comparou as novas proteções ao Muro de Berlim, construído durante a Guerra Fria, em 1961, e que separava a Alemanha Ocidental e Oriental. “Não precisa construir o muro de Goiânia para separar a gente da população”, repreendeu.

A sessão foi iniciada às 9h22 com a líder do prefeito na Casa, Célia Valadão (PMDB), fazendo canto de louvor com a música Faz um milagre em mim, de Régis Denese.

Ocupações

A obra teve orçamento máximo de R$ 320 mil e foi anunciada 20 dias após a última ocupação dos professores e funcionários do administrativo da educação municipal. Eles deflagraram greve no dia 26 de maio devido ao não cumprimento por parte da prefeitura do que foi acordado ao final da última paralisação, em outubro do ano passado.

A Câmara foi ocupada no dia 10 de junho, sendo esvaziada no dia 4 do mês seguinte.

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