Com início na Saneago, Compliance não foi capaz de identificar servidores envolvidos em corrupção

Controlador-geral diz que programa atua mais na prevenção de novos casos e que parte investigativa fica a cargo da polícia

Com início na Saneago, Compliance não foi capaz de identificar servidores envolvidos em corrupção
Controlador-geral do Estado Henrique Ziller | Foto: Lívia Barbosa/Jornal Opção

Orgulho do governador Ronaldo Caiado (DEM), o programa de Compliance Público começou a ser implementado na Saneago. No entanto, com a iniciativa em andamento, a estatal já virou alvo, novamente, de operações da Polícia Federal, que apuram desvios de verbas e fraudes licitatórias.

Questionado pelo Jornal Opção, o controlador-Geral do Estado, Henrique Ziller, disse que o programa ainda está em sua fase inicial e atua na prevenção de novos casos de corrupção. “Como controle interno, não temos acesso a quebra de sigilo telefônico, por exemplo, que é uma atribuição da polícia”, explicou.

Ainda quando o programa foi anunciado, o Governo disse que a Saneago seria a primeira a passar pelo processo, porque já tinha um mecanismo de controle em andamento. Questionado sobre o porquê desse mecanismo não ter sido suficiente para prevenir novas operações, Ziller disse que o que existia antes era apenas um programa de gestão de riscos.

“É preciso lembrar que o Compliance atua por meio de quatro eixos: da promoção da ética, fomento da transparência, responsabilização e gestão de riscos. Antes a estatal só contava com a última medida, que não era suficiente para prevenir possíveis desvios”, disse.

Ziller também acusa que os desdobramentos da Operação Decantação, deflagrados em 2019, são fruto de casos que ocorreram ainda na gestão passada. Entretanto, na Fase 3, um dos alvos já havia sido investigado na primeira fase e, ainda assim, continuava como servidor da estatal.

Estado atual

Segundo o controlador, essa permanência não poderia ser identificada pelo programa, que, reforçou, atua de maneira preventiva. Além disso, ele lembra que está tudo ainda em seus passos iniciais. “A identificação de servidores envolvidos em desvios é papel da polícia”, reiterou.

Ele também garantiu que agora o controle será mais efetivo, por contar com o apoio do governador Ronaldo Caiado (DEM). “A iniciativa antes era por parte dos técnicos, quando Caiado colocou na agenda da gestão o programa ganhou força, mas ainda é muito inicial. Porém queremos acelerar para assegurar qualidade do gesto e melhor prestação de contas à população”, disse.

Neste momento, conforme detalha Ziller, na Saneago, foram designados servidores para implementar a gestão de risco. “Definida a política, estamos no processo de identificação desses riscos e, então, partiremos para a criação de um plano de enfrentamento. Até alcançarmos os quatro eixos, levará meses, mas estimo que até o meio do ano esse programa já esteja em andamento”, previu.

“A ideia é que, mesmo que haja pessoas com a intenção de burlar o sistema, não tenha brechas para isso”, explicou ao reforçar a intenção de evitar que futuras operações apurem desvios ou fraudes na Estatal e em outras instâncias do Governo que também passarão pelo Compliance.

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