Com inércia de Iris, vereadores buscam HGG para concretizar Instituto de Diabéticos

Primeira-dama Dona Íris estaria impedindo concessão de prédio para instalação do centro que será referência no Brasil

Iris e a esposa, Dona Íris Araújo: a eminência parda da prefeitura? | Foto: Fernando Leite

O vereador Jorge Kajuru (PRP) voltou a acusar, durante coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (5/7), a primeira-dama Dona Íris (PMDB) de inviabilizar a implantação do Instituto de Diabéticos em Goiânia.

Idealizado por ele e pelo filho do apresentador Joel Datena, Vicente Datena Filho, o centro médico recebeu R$ 6 milhões do Ministério da Saúde para equipamentos e início do funcionamento. O recurso foi conseguido após uma reunião com o titular da pasta, Ricardo Barros (PP), no último mês. A contrapartida da prefeitura seria ceder o espaço e fazer a regulação — compromissos assumidos, em vídeo, pelo prefeito Iris Rezende (PMDB).

No entanto, o parlamentar denuncia que, mesmo após a secretária municipal de Saúde, Fátima Mrué, ter anunciado que conseguiu dois prédios para sede do instituto, desde maio, ela não responde mais suas mensagens.

“Eram dois prédios à disposição, um no Granville e outro no Parque Oeste Industrial. Ela nos convidou a conhecer os espaços. Logo depois desmarcou e me informou que a Secretaria Municipal de Educação havia ‘resolvido ficar com os dois’. Ora isso é molecagem! É óbvio que alguém interferiu contra”, argumentou.

E esse alguém, de acordo com Kajuru, tem nome, sobrenome e motivo: “O Instituto de Diabéticos parou exclusivamente por causa da teimosia e ignorância de uma senhora chamada Dona Íris de Araújo, que manda na Prefeitura de Goiânia e que morre de medo de Jorge Kajuru ser candidato a deputado federal e que novamente a derrotará assim como aconteceu em 2014.”

À reportagem, ele teceu duras críticas a peemedebista, a quem chamou de “incompetente, rancorosa e raivosa”, e mandou um recado ao marido. “Eu que não quero mais ajuda de Iris. Vai sair independente dele. Com participação empresarial, Idetech e o Ministério da Saúde. Vai sair e faço questão que Iris não participe de nada, aí Dona Íris vai perder eleição mais fácil ainda porque vai ter contra ela mais de 480 mil diabéticos em Goiás, contra essa reles cidadã Iris Araújo”, completou.

Parceria com governo

Fachada do HGG | Foto: Divulgação

Com a inércia da gestão Iris Rezende (PMDB), Kajuru articula, junto a um grupo de vereadores aliados do governador Marconi Perillo (PSDB), o uso de cerca de 100 leitos no Hospital Geral de Goiânia Alberto Rassi (HGG) — controlado por uma Organização Social (a Idetech) conveniada com o governo.

Assim, apesar de os recursos do MiS ainda serem direcionados à prefeitura, a gestão do Instituto dos Diabéticos será feita pela OS, com recursos do Ministério da Saúde, do próprio vereador e de empresários.

O centro, que pode ser referência para o Brasil, realizará atendimento específico para portadores de diabetes, em especial cirurgias, que serão gratuitas, performadas pelos médicos Áureo Ludovico, Paulo Reis e Nelson Rassi.

Kajuru fez questão, por fim, de ressaltar que quem fará a interlocução entre o governador e a Câmara será Dra. Cristina (PSDB), Elias Vaz (PSB) e Priscilla Tejota (PSD). “Eu não converso com Marconi. Quem vai aceitar o HGG são os vereadores e dividiremos o mérito”, arrematou.

Resposta

Secretária Municipal de Saúde, Fátima Mrué

Jornal Opção entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde, que negou veementemente qualquer tipo de interferência da primeira-dama na gestão e garantiu que tem se reunido com o vereador Jorge Kajuru para falar sobre o instituto.

Por meio de nota, a secretária Fátima Mrué disse que protocolará proposta técnica junto ao Ministério da Saúde em busca da identificação de projetos que contemplem a criação do Instituto. O parlamentar, segundo ela, já foi informado por meio de ofício.

No que diz respeito aos prédios cedidos ao Instituto de Diabéticos pela gestão Iris, a pasta reconhece que é a Secretaria Municipal de Educação que realmente os utilizará.

Veja abaixo na íntegra:

A secretária municipal de Saúde, Fátima Mrué, refuta, de forma veemente, a afirmação do vereador Jorge Kajuru a respeito de dona Iris. A primeira-dama de Goiânia sempre manteve postura extremamente ética na relação com a Secretaria Municipal de Saúde e nunca, em momento algum, jamais, interferiu, seja direta ou indiretamente, na condução da gestão da Saúde. Esse é o fato.

Também é fato que Fátima Mrué delibera sobre o assunto com o vereador. Jorge Kajuru, entre outras agendas anteriores, foi recebido na secretaria na última segunda-feira, dia 3. A pauta foi exatamente a criação do instituto. Na mesma data, inclusive, Kajuru recebeu em mãos resposta a um ofício encaminhado para tratar desse mesmo tema. No documento, assinado pelo vereador, Fátima Mrué afirma que protocolará proposta técnica junto ao Ministério da Saúde em busca da identificação de projetos que contemplem a criação do Instituto.  Essa proposta preliminar foi anexada à resposta do ofício em questão.

Por fim, é interesse e responsabilidade da SMS promover o serviço de saúde em todos os segmentos. A diabetes é um deles. A secretária defende, inclusive, a ampliação da proposta do vereador, de modo a acrescentar ao instituto, originalmente pensado como Centro de Referência em Diabetes, também as doenças crônicas a ela relacionadas. No entanto, a viabilidade ou não do instituto depende de diretrizes e apoio da União, por meio do Ministério da Saúde.

No que tange ao município de Goiânia, o diálogo com o vereador é permanente.  Tanto, que o mesmo afirma que houve sinalização positiva por parte da gestão Iris Rezende e indicações de possíveis locais. Em relação a esses, a SMS esclarece que eles pertencem à Secretaria Municipal de Educação, que precisou utilizá-los para atendimento à demanda educacional da cidade, outro assunto de extrema importância.

Assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde

Pelo Twitter, a primeira-dama se limitou a dizer que é “entusiasta” da construção do Instituto de Diabéticos.

 

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