Com fim de imposto, sindicatos devem fechar as portas em Goiás

Contribuição sindical era a maior fonte de receita da maioria dos sindicatos

Foto: Roberto Parizotti/ CUT

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, na última sexta-feira (29), manter o fim da obrigatoriedade de contribuição sindical e acabou com as esperanças de sindicatos do País em reverter a situação.

O fim do imposto sindical — maior fonte de receita das entidades — atinge a estrutura econômica de sindicatos, federações, confederações e centrais, que agora terão de se reinventar para manter o número de associados.

O assunto é polêmico e divide opiniões. Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejistas de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto), Márcio Andrade, a decisão é acertada e fará com que sobrevivam apenas os sindicatos que tenham relevância para a categoria que representam.

“Mesmo passando por dificuldades, eu concordo com o fim do imposto sindical, acho que esse é o caminho certo. Muitas vezes o sindicato não fazia o seu trabalho de representar e ganhava o dinheiro do associado. Virou apenas uma fonte de receita. Agora os sindicatos vão precisar se reinventar e oferecer benefícios para que os associados paguem a contribuição voluntária”, analisa.

De uma coisa, entretanto, o presidente do Sindiposto tem certeza: muitos sindicatos em Goiás vão fechar as portas com a falta do recurso. Quem também aposta nesse cenário é o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Goiânia (Sindigoiânia), Ronaldo Gonzaga.

Representando um dos mais importantes sindicatos do Estado, com quase nove mil filiados, o presidente diz que o Sindigoiânia enfrentará dificuldades sem a arrecadação.

“Essa receita é questão de sobrevivência. O Sindigoiânia mesmo passa por uma fase muito difícil, assumimos o sindicato com muitas dívidas. Essa semana vou sentar com minha diretoria para ver como vai ser nossa estratégia. Mas vou ter que cortar na própria carne e talvez até demitir funcionários.”

Gonzaga conta que, para atrair associados, disponibiliza oito especialidades médicas que atendem a custo zero os filiados. Ele analisa que o sindicato que não tiver representatividade vai deixar de existir, mas critica a decisão do STF.

“Tinha que resolver esse problema de outra forma. Talvez evitando que abrissem tanto sindicato. Conheço muitos que já estão falando em fechar as portas”, finaliza.

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Fabiano Oliveira

MARAVILHA !!!! Agora esses desocupados que levam vida de milionários a custas dos trabalhadores, terão que caçar outro rumo !!