Com falta de enfermeiros, Samu opera com capacidade reduzida em Goiânia

Atualmente, serviço tem 78 profissionais em atuação, quando o ideal seriam 106. A consequência é que, em alguns dias, faltam ambulâncias na rua

Embora precise de pelo menos 106 enfermeiros para conseguir operar as 13 Unidade de Saúde Básica (USB) que possui atualmente, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Goiânia tem apenas 78 profissionais em atuação. Com isso, em alguns dias, o número de ambulâncias na rua chega a ficar abaixo de 10.

Segundo funcionários do Samu, que não se identificaram por medo de represálias, a Prefeitura de Goiânia está ciente do déficit no número de profissionais, mas, em oito meses de gestão, ainda não contratou novos enfermeiros e técnicos.

Atualmente, o Ministério da Saúde preconiza que, a cada 150 mil habitantes, é preciso ter uma USB e a cada 450 mil, uma Unidade de Saúde Avançada (USA). Como Goiânia tem, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1,466 milhões de habitantes, no mínimo 10 delas deveriam estar sempre na rua.

No entanto, de acordo com alguns funcionários, há dias em que esse número não passa de seis. O recente rompimento do contrato com o Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech) para a administração das ocorrências do Samu, avaliam, deve piorar a situação. Isso porque, para a função, a prefeitura vai escalar administrativos concursados que não necessariamente têm perfil para uma regulação do tipo.

Eles estão sendo treinados pela prefeitura e devem começar a trabalhar no Samu já a partir de quinta-feira (14/9), mas a previsão dos funcionários é de que, principalmente nesse período de transição, motoristas, técnicos e enfermeiros tenham que ir para a regulação, sem a qual o serviço simplesmente não funciona.

Em entrevista ao Jornal Opção, o coordenador administrativo do Samu, Wilson Rodrigues, confirmou que, em momentos mais críticos deste ano, o serviço chegou a operar com apenas cinco USBs, mas disse que a secretária Fátima Mrue prometeu fazer um processo de contratação emergencial para suprir a demanda por enfermeiros.

Só que esse processo será para assinatura de contratos temporários, de apenas um ano, e não concurso para contratação de efetivos. Outro problemas é que as motolâncias, pensadas para chegar com mais agilidade a locais de acidentes, também estão paradas, não só por falta de pessoal, mas também por sucateamento.

Recentemente, o Ministério da Saúde parou de fornecer novas motolâncias aos municípios, mas quem já tem pode continuar operando com elas – e recebendo verbas para isso. O ministério só deixará de custear a manutenção. Para aumentar a capacidade de atendimento do Samu, bastaria consertar e contratar mais pessoal, pontuam funcionários.

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