Coaf identifica movimentações atípicas de R$ 2,5 milhões em conta do deputado David Miranda

Parlamentar era vereador do Rio de Janeiro e assumiu o mandato na Câmara dos Deputados após renúncia de Jean Wyllys

David Miranda e o marido, Glenn Grennwald, editor-chefe do site The Intercept, que publicou mensagens atribuídas a Sergio Moro e Deltan Dallagnol | Foto: Reprodução

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou uma “movimentação atípica” de R$ 2,5 milhões em contas bancárias do deputado federal David Miranda (Psol-RJ), marido do editor-chefe do site The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, poucos dias após o site divulgar mensagens atribuídas ao então juiz e coordenador da Lava-Jato, Sergio Moro, e o procurador do Ministério Público Federal Deltan Dallagnol. Miranda era vereador no Rio de Janeiro e assumiu o mandato na Câmara dos Deputados renunciado pelo ex-BBB Jean Wyllys.

Embasado no relatório, o Ministério Público do Rio de Janeiro instaurou uma investigação sobre as movimentações financeiras do deputado. Conforme publicado pelo jornal O Globo, a 16ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro impediu a tentativa do Ministério Público de quebrar o sigilo fiscal e bancário de David Miranda.

O juiz que derrubou o pedido do MP, Marcelo da Silva, pede no despacho que o parlamentar e outras quatro pessoas envolvidas, entre assessores e ex-assessores de Miranda, sejam ouvidos pelo Judiciário antes de qualquer ação cautelar. “Entendo prudente postergar a análise do pleito para o momento posterior à instauração do contraditório”, analisou o juiz.

A investigação do Coaf analisava primeiro supostas ilegalidades em gráficas no município de Mangaratiba (RJ) e não tem ligação direta com o deputado. Ele contratou os serviços de uma das empresas investigadas e, por esse motivo, teve as movimentações financeiras em sua conta enviadas investigadas e enviadas ao MP pelo Coaf.

Procurado pelo periódico, a equipe do parlamentar argumentou que o dinheiro advém de outra atividade financeira, especialmente de uma empresa de turismo em que mantém sociedade com o marido, Glenn Greenwald e não tem relação com o salário de deputado, de R$ 33,7 mil. O parlamentar disse ainda que quaisquer outros esclarecimentos serão prestados ao Judiciário em momento oportuno.

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