Cleisla Garcia diz que a imprensa não deve tratar o suicídio de maneira sensacionalista

Jornalista da TV Record lançou livro sobre o tema neste sábado (5) em Goiânia

Cleisla Garcia, jornalista da TV Record | Foto: Marcelo Pereira

A jornalista da TV Record Cleisla Garcia lançou, neste sábado (5/5), o livro “Sobre Viver — Como Jovens e Adolescentes Podem Sair do Caminho do Suicídio e Reencontrar a Vontade de Viver”, na Livraria Saraiva do Shopping Flamboyant, em Goiânia.

Em entrevista ao Jornal Opão, Cleisla disse que a obra surgiu da série de reportagens “Suicídio — Alerta aos Jovens”, feita pela TV Record no ano passado. Ela conta que os repórteres se inspiram em dois temas muito debatidos pela sociedade brasileira em 2017: a série “13 Reasons Why” e o jogo “Baleia Azul”, que estão envolvidos com a temática do suicídio.

“Trabalhamos com vítimas, famílias, médicos e nos infiltramos em comunidades restritas da internet”, lembra a jornalista. “Achei impressionantes os números aos quais tivemos acesso. Diante disso eu precisava escrever uma obra que contraria o tabu que é o suicídio.”

Para produzir o livro, Cleisla passou meses conversando com especialistas e “não tirou nada de sua cabeça”. “[O livro] não é uma fórmula mágica, mas sim uma reflexão sobre a vida. Sou apenas uma jornalista que pretende ajudar no combate ao suicídio”, afirma.

De acordo com ela, o fenômeno do suicídio é complexo e de causas múltiplas. É importante notar mudanças bruscas de comportamento e ter atenção especial com pessoas que sofrem de depressão e bipolaridade, além de vítimas de bullying e violência doméstica e sexual.

Os pais precisavam identificar estes riscos e estar dispostos a ouvir os filhos e conduzi-los a especialistas. “Os país não são obrigados a saber de tudo, mas eles são, sim, obrigados a ouvir. Uma pessoa que quer se matar vai emitir sinais, por menores que sejam”, ressalta a jornalista.

Imprensa
Segundo Cleisla, o ano passado foi o marco no que tange à cobertura da mídia sobre o suicídio. “A palavra ‘suicídio’ foi usada mais de 100 vezes e, na maior parte delas, de maneira adequada”, frisa.

Mas ela alerta que ainda é preciso melhorar. “Temos que nos unir em torno de uma campanha nacional contra suicídio juvenil. No Brasil, suicídio entre os jovens cresceu 12% na última década.”

Para a jornalista, o suicídio deve ser tratado pela imprensa sem sensacionalismo, sem divulgar métodos e sem expor a família da vítima, que não deve ser glamourizada. “Precisamos falar de suicídio, mas temos que saber como. Se falado de maneira incorreta, pode acabar estimulando”, sublinha.

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