“Clécio Alves foi um presidente comum, mas saiu da Câmara sem escândalos”

Vereador do PT comentou a influência exercida pelo peemedebista em votações polêmicas, além da atuação da ex-líder de Paulo Garcia na Casa, Célia Valadão (PMDB)

"Vamos ajudar Paulo Garcia mais do que ele imagina", disse Tayrone | Foto: Marcello Dantas/Jornal Opção Online

“Vamos ajudar Paulo Garcia mais do que ele imagina”, disse Tayrone | Foto: Marcello Dantas/Jornal Opção Online

“Ele foi um presidente comum.” Foi esta a avaliação que o vereador Tayrone di Martino (PT) fez de Clécio Alves (PMDB), presidente da Câmara Municipal de Goiânia no biênio 2013-2014. Em entrevista ao Jornal Opção Online nesta terça-feira (6/1), o petista argumentou a declaração dizendo que o colega não levou mudanças e ações consideráveis à Casa.

No entanto, o petista não fez apenas apontamentos críticos. “Mas eu acho também que ele não prejudicou a imagem da Câmara, o que poderia ser um risco”, ressaltou. Tayrone, que agora é vice-presidente da mesa diretora nos próximos dois anos, listou ações positivas. Do ponto de vista da dignidade, pontuou: “Clécio não protagonizou nenhum escândalo”.

Além disso, lembrou que o caixa do Poder Legislativo não ficou no vermelho. “Não teve nada que agravasse a imagem dele. Por mais que não tenha sido ‘o presidente’, vejo que isso é positivo”, relatou.

Mesmo assim, Tayrone destaca que atuação de Clécio poderia ter sido melhor. Como exemplo, relatou um dos entraves que impediram esse aperfeiçoamento. “Em vários momentos, para mostrar fidelidade ou querendo cumprir algum compromisso com a administração municipal, o Clécio colocou [à disposição] estágios, nomeações e outros cargos próprios da Câmara para controlar a base aliada”, aponta, sem apresentar provas. O petista se referiu a uma suposta garantia de apoio na apreciação dos projetos enviados pelo Poder Executivo em troca de cargos.

A atitude, na visão dele, transformou a Casa em uma secretaria da Prefeitura de Goiânia. Tayrone ainda analisa que outras propostas foram aprovadas “à base da força” por parte da presidência. Isso, observa, foi prejudicial não para o então presidente, mas sim para a cidade e para o prefeito Paulo Garcia (PT).

O segredo, conforme sugeriu, era o de ter aberto o diálogo entre a Câmara e a população, deixando claro quais são as reais intenções dos projetos. A aprovação do Plano Diretor da capital, a venda, permuta e troca de 18 áreas públicas, a criação do Auxílio Locomoção (que substituiu o Difícil Acesso) para os professores da Rede Municipal de Educação, além das duas tentativas frustradas de aprovação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU/ITU) exemplificam a falta de clareza e inabilidade política da prefeitura. “Todos foram parar na Justiça”, reclamou.

“Podemos ajudar muito mais o prefeito fazendo o debate acontecer. Vamos ajudar mais do que ele imagina”, indicou, sublinhando que esta será uma das principais funções da nova mesa diretora, presidida por Anselmo Pereira (PSDB).

Célia Valadão

Mas as articulações não foram coordenadas apenas por Clécio. Célia Valadão (PMDB) — que deixou a liderança do Governo após seguidas turbulências — estava à frente das tensas negociações com a base. No mínimo, ela tinha à tira colo três aparelhos celulares, e ficava sempre atenta.

Contudo, o vereador do PT relata que faltava à peemedebista habilidade política. Precisava, afirmou, se envolver e ajudar mais os vereadores. “Até mesmo bater de frente, na vida política temos que falar não, também. E não apenas sim senhor.”

Caso isso tivesse ocorrido, finalizou, a gestão de Clécio e a liderança de Célia teriam resultados mais satisfatórios.

Carlos Soares

Vereador muito próximo a Paulo Garcia, Carlos Soares foi escolhido como o novo líder do prefeito no plenário — ele também lidera a bancada petista. “É uma pessoa centrada e que vai conversar. Quando ele achar que tiver algum projeto que, de fato, não seja bom, ele vai ter a capacidade de chegar no prefeito ou no secretário de Governo [Osmar Magalhães] e falar que não concorda”, adiantou.

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