Cerveja artesanal: é cara porque é exclusiva

Rótulos descolados, bares específicos, ingredientes nobres e textura característica, apesar do valor elevado, as cervejas artesanais caíram no gosto do brasileiro

Cerveja, cerveza, beer, bier, birra e bière. Existem diversas formas de pedir uma ‘breja’ em vários locais do mundo, mas em todos há algo em comum: a paixão por uma das bebidas mais populares do planeta. Se você é adulto, é muito provável que já tenha sentado em uma mesa de bar e apreciou bons momentos ao lado de amigos, ou até mesmo dentro de casa, com a família naquele famoso almoço de domingo. Se pensa em cerveja, marcas tradicionais vêm na mente… Mas e as cervejas artesanais? O que pode explicar o seu sucesso?

O jornalista Pablo Kossa, que é um entusiasta do mundo cervejeiro, diz que há muitos pontos válidos para que a qualidade da cerveja artesanal se sobressaia às comuns. Ele afirma, inclusive, que o termo “artesanal” é usado de forma equivocada. “Se formos muito criteriosos, a gente entende que o artesanal você faz em casa. Estamos falando de cervejas feitas em indústrias menores”. Ele destaca que as principais diferenças se encontram no volume produzido e na variação dos ingredientes utilizados. “Enquanto uma fábrica grande de cerveja produz milhares de tanques, uma indústria artesanal consegue produzir de um mil a três mil litros por leva. E, além disso, você consegue ousar mais ao utilizar ingredientes diferentes, pode brincar com estilos… Já as comerciais não conseguem, pois trata de um volume muito grande para atender ao padrão médio daquilo que, até então, entendíamos como ‘cerveja’”. Durante a conversa com o Jornal Opção, Kossa pontua que as cervejas clássicas ficam restritas a algo convencional com uma limitação de sabor. “As artesanais possuem um universo muito maior que as comerciais. A possibilidade de oferta e riqueza de sabores é infinitamente superior, o que acarreta em um preço elevado”, diz.

E é nessa mesma perspectiva de sabores que a consumidora de cervejas artesanais, Bárbara Mina, decidiu investir em um kit cervejeiro próprio. Segundo ela, o interesse pela cerveja artesanal começou pelo fato de gostar do próprio sabor da cerveja, mas não qualquer uma: sempre teve preferência por cervejas mais fortes e concentradas, feitas com puro malte ou trigo. “Comecei a estudar sobre os variados tipos de cervejas e, conversando com um primo que tem uma fábrica desse tipo de bebida, ele me ensinou sobre a produção. Agora, há pouco mais de dois meses, iniciei a minha produção caseira de cerveja artesanal”, diz. Bárbara afirma que não tem a  pretensão de avançar com suas cervejas de forma comercial, mas sim de apreciar a bebida entre a família e amigos. “É muito interessante você poder dosar a quantidade de lúpulo e malte de acordo com o seu paladar. Isso me chama a atenção. Consigo fabricar a cerveja do jeito que eu gosto de consumir a partir do sabor que acho mais gostoso”, diz.

Já o cervejeiro e fundador da Cervejaria Lola, de Goiânia, Henrique Augusto, classifica que a principal diferença entre os dois tipos de cerveja é o papel do mestre cervejeiro. Ele explica que as comerciais possuem uma receita criada por um departamento de marketing, que faz um produto visando um público alvo específico “que é vender cerveja barata para as pessoas simplesmente se alcoolizarem”. Já as artesanais possuem alguém capacitado para essa criação, antes mesmo da própria comercialização. “O mestre cervejeiro vai criar uma receita, depois a cerveja e aí comercializa. Independentemente se vai conseguir atingir o público X ou Y, ou seja, ela é feita de forma artesanal para um público que entende que esse é um produto sazonal. É um nicho de mercado completamente diferente da cerveja comercial”.

Que a cerveja artesanal é mais encorpada, saborosa e variada, Henrique já sabia, pois em sua própria casa ele já fazia a sua cerveja. Mas e como surgiu a ideia de fundar a Lola? “Completamente por acaso”, diz ao Jornal Opção. A Cervejaria é definida como “especializada em cervejas refrescantes e deliciosas”. O mestre cervejeiro conta que conheceu o dono de uma cervejaria em Goiânia e este lhe apresentou um modelo de negócio. “Ele falou: vou terceirizar a produção para quem quiser fazer cerveja na minha fábrica. Vou te entregar o produto pronto. Aí eu achei interessante, fui estudar o negócio e iniciamos com um rótulo somente, a Witbier [cerveja feita com trigo], que ainda está no nosso leque e possui a cachorrinha que deu nome à cervejaria”, diz. O modelo de negócio apresentado por Henrique é chamado de “cervejaria cigana”, no qual tem toda a sua produção terceirizada. “Terceirizamos a produção, mas desde a receita até o rótulo são meus. Não temos apenas a planta industrial”. 

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