Relatório detalha aplicação de R$ 1,9 bilhão que a CEF emprestará à Celg

Expectativa é que com o montante a companhia goiana tenha condições de realizar os investimentos necessários em infraestrutura nos próximos anos, para sair do atual “regime vegetativo”

Na expectativa de ter em caixa o R$ 1,9 bilhão emprestado da Caixa Econômica Federal (CEF) via o acordo que caminha para ser firmado com a Eletrobras e que resultará na transferência de 51% de suas ações, a Celg Distribuição já possui o esboço de como o montante será usado. A promessa de acordo necessária para a federalização foi assinada entre as empresas em 26 de agosto, sendo que a assinatura que liberará o empréstimo se deu no último dia 2 entre dirigentes da CelgD e da CelgPar e seguiu para a sede da instituição financeira e da Eletrobras para a coleta das demais assinaturas. O empréstimo dessa quantia é uma exigência da fornecedora goiana, mas chegou a ser descartada pela estatal federal numa tentativa de manobra, o que causou certo impasse até que novas conversas o reinseriram no acordo.

Conforme relatório obtido pelo Jornal Opção Online, R$ 240 milhões serão destinados à expansão e manutenção da rede elétrica goiana, o que atende redes, linhas e subestações de média e alta complexidade.

Atualmente as regiões com maior demanda reprimida por conta do déficit energético em Goiás são Cristalina, Valparaíso, Cidade Ocidental, Itaberaí, Paranaiguara, Formosa, São João D’Aliança, São Simão e Vianópolis. De acordo com vice-presidente da CelgPar e diretor de regulação da CelgD, Elie Chidiac, nessas localidades a necessidade é, marcadamente, de irrigação e agroindústrias de transformação de seus produtos, sendo que em Cristalina, Formosa, Itaberaí e Luziânia estão em andamento obras contratadas para expansão da rede com conclusão prevista ainda em 2014. “As demais cidades serão inseridas no Plano de 2015”, acrescenta.

“O principal mercado da Celg D é o eixo Aparecida – Goiânia – Anápolis. As restrições hoje existentes estão relacionadas ao limite de capacidade de transformação em subestações. A solução para este problema está em andamento com a ampliação, a curto prazo/Maio-2015, das subestações Carajás e Xavantes, em Goiânia, Anhanguera, em Aparecida, e Daia, em Anápolis”, estima. A médio prazo, Chidiac informa que novas subestações serão implantadas nas regiões dos setores Areião, Riviera, Santa Genoveva, na capital, e Santana, em Anápolis.

Perguntado sobre prazos para o dinheiro estar de fato em poder da Celg, Elie Chidiac se mostrou receoso. O vice-presidente afirmou que, como de costume, podem ocorrer imprevistos burocráticos que tendem a atrasar o processo, mas garantiu que a expectativa “é para os próximos dias.”

Elie Chidiac destaca que quanto ao destino do restante da parcela de R$ 1,9 bilhão é importante ressaltar que ao quitar as dívidas com credores, “certamente se cessará o pagamento com juros exorbitantes que chegam a ser três vezes maiores do que estamos captando agora, e que são de 6.8% a.a.[ao ano]”. Significa que a Celg D terá condições de realizar os investimentos necessários em infraestrutura nos próximos anos de forma que saia do que Chidiac classificou como sendo um “regime vegetativo”, ou seja, “se alimentando com suas próprias receitas.”

Estimativa de investimento anual a partir de 2014 em  expansão e manutenção da rede elétrica goiana, o que atende redes, linhas e subestações de média e alta complexidade

Estimativa de investimento anual a partir de 2014 em expansão e manutenção da rede elétrica goiana, o que atende redes, linhas e subestações de média e alta complexidade

 

Estima-se que o passivo em investimentos desde 2008 esteja na ordem de R$ 800 milhões considerando que a distribuidora de energia deveria ter aplicado, no mínimo, R$ 150 milhões por ano a partir de então, e que foi retomado em 2011”, esclarece. Devido ao período sem os investimentos, foi evidenciada a necessidade de que sejam aplicados, anualmente, a partir de 2014, aproximadamente R$ 300 milhões. Em 2013 foram aplicados R$ 170 milhões –– R$ 130 milhões a menos que o necessário.

A aplicação anual em torno de R$ 300 milhões, segundo Chidiac, possibilitará à Celg atender às projeções de crescimento do mercado tanto no que diz respeito ao aumento vegetativo do setor como também quanto às novas demandas de carga e recuperação do que não foi executado entre 2008 e 2011. “Vale ressaltar, ainda, que o desejo da Celg D é investir montantes maiores dos R$ 300 milhões previstos, mas isto esbarra na execução, sendo que o Estado de Goiás se encontra em situação de pleno emprego e isto torna a mão de obra para o setor elétrico escassa”, diz, creditando ao cenário ainda o fato de o setor da construção civil estar aquecido no Estado, o que causaria concorrência “com a Celg de forma direta na contratação desta mão de obra”.

Com os investimentos em infraestrutura da rede a Celg poderá melhorar seu desempenho nos indicadores de continuidade, principalmente o FEC, Frequência de desligamentos; além do DEC, duração as interrupções. “O foco que a CelgD pretende dar a estes investimentos está no aumento do número de religadores telecomandados nas redes de distribuição urbana e rural”, detalha Chidiac. Ele explica que o telecomando é feito remotamente pelo Centro de Operação do Sistema, o COS, sendo que estes equipamentos religam automaticamente a rede eliminando a necessidade de deslocamentos de equipes para restabelecer o fornecimento de energia quando os defeitos são causados por ação de árvores que encostam nos cabos, por exemplo.

“Já foram instalados 50 religadores em Goiânia, Aparecida e Anápolis; estão em aquisição outros 200 para serem instalados em várias outras cidades e mais 200 para subestações em toda a área de concessão. Em 2015 serão adquiridos e instalados 300 religadores”, garante.

O investimento em revitalização das linhas e subestações de alta tensão também é apontado como crucial para a melhoria do serviço prestado pela Celg. Conforme Chidiac, é estimado o valor de R$ 40 milhões já a partir deste ano, a ser aplicado em 77 subestações e 78 linhas.

“Com estes projetos a CELG D tem como meta alcançar em médio prazo os índices de qualidade Regulatórios, FEC de 11,49 desligamentos/ano e 13,94 horas/ano (DEC)”, conclui Elie Chidiac.

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