CBF teria recorrido a Ciro Nogueira para manter jogadores na partida das eliminatórias da Copa do Mundo

O servidor da Anvisa fez um relatório contando tudo o que teria acontecido na fatídica interrupção da partida

Nesta quarta-feira, 8, foi divulgado um documento em que o servidor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Yunes Eiras Baptista, relata como foi o processo de barrar os jogadores argentinos da partida das eliminatórias da Copa do Mundo, no último domingo. Segundo Baptista, o presidente da CBF teria dito a ele para falar com o ministro Ciro Nogueira.

O jogo da partida entre Brasil e Argentina foi interrompido para que os agentes da Anvisa e da Polícia Federal retirassem de campo quatro jogadores argentinos que violaram as normas sanitárias brasileiras. “Por volta das 16:45 – Fui abordado pelo Sr. Ednaldo Rodrigues – Presidente da CBF informando que estava em contato com a Casa Civil e se eu poderia falar com o Sr. Ministro Ciro Nogueira, neguei o contato e informei que se dirigisse à diretoria da ANVISA a qual me encontrava subordinado visto que se tratava de ação sanitária e legal”, relata o servidor da Anvisa, Yunes Eiras Baptista.

Ao longo do relatório de cinco páginas, Baptista relata grande dificuldade e até constrangimento por parte da CBF e até dos próprios jogadores de futebol para que ele e os policiais federais conseguissem realizar seu trabalho. “Salientamos a falta de colaboração no cumprimento das medidas sanitárias, pelos envolvidos (CBF, CONMEBOL, AFA e os próprios jogadores de futebol), que aparentemente de forma deliberada obstruíram e constrangeram servidores públicos em cumprimento de ação em prol da saúde pública do povo brasileiro, com base na legislação brasileira vigente”, disse.

Baptista afirma que tentou chegar aos jogadores antes do início da partida. Às 14h50 ele já estava no estádio tentando fazer a fiscalização. Contudo, “na entrada já foi observada dificuldade de apoio da organização e obstrução; ninguém sabia informar ou orientar. Após 5 minutos fomos orientados a seguir para o portão de acesso E, que se encontrava fechado.” Ele afirma que só conseguiu entrar em campo, após uma “manifestação mais incisiva”.

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