A cerca de 500 quilômetros de Goiânia, a cidade de Mambaí guarda um tesouro geológico ainda pouco conhecido do grande público: a Caverna da Claraboia. Nessa formação, os visitantes descem de rapel por uma fenda natural no teto da gruta, passam ao lado de estalactites milenares e contemplam duas entradas simultaneamente, tudo isso em um ambiente iluminado pela luz solar que entra pela abertura superior.

Localizada na região Nordeste de Goiás, próxima aos municípios de Buritinópolis e Damianópolis, a caverna oferece uma experiência de turismo de aventura 100% de descida e contemplativa, com preço médio de R$ 75 por pessoa, incluindo guia, equipamentos de segurança e seguro.

Primeiramente, vale entender o que torna esse lugar tão especial. O nome “Claraboia” vem justamente daquela fenda aberta no teto da caverna, uma dolina que permite a entrada de luz natural. Além disso, a gruta também é conhecida como Lapa das Dores ou Raio de Sol, denominações que reforçam essa relação íntima com a claridade.

Caverna da Claraboia | Foto: Reprodução

Ao descer de rapel por essa abertura, o visitante assiste a um espetáculo único: feixes de luz que dançam sobre as colunas, estalagmites e outras formações rochosas. Por outro lado, a experiência vai muito além da descida. Conforme se aproxima do fundo da caverna, o aventureiro consegue avistar as duas entradas da gruta ao mesmo tempo, um privilégio raro em formações subterrâneas.

Em entrevista ao Jornal Opção, o secretário de Turismo de Mambaí, Bruno Queiroz, explicou que “a Caverna da Claraboia se insere num contexto de vários atrativos ali. Dividido entre outras cavernas, cachoeiras e algumas atividades de aventura que tem na região de Mambaí.” Ele ainda destacou que a área abrange três municípios (Mambaí, Buritinópolis e Damianópolis), com forte vocação para o turismo de natureza, incluindo ilhas, lagos e fervedouros.

A fenda que dá nome à caverna

Segundo o secretário, a formação se destaca por ser “bastante volumosa”, o que na espeleologia significa uma caverna ampla e bem iluminada. “Ela tem espeleotemas que são estalactites, estalagmites e colunas de beleza bastante singular”, acrescentou.

Contudo, o grande diferencial, o elemento que “salta os olhos”, é a dolina, essa fenda no teto. “É por onde a gente tem a possibilidade de fazer um rapel do lado das estalactites e a oportunidade de verificar as duas entradas da caverna por esse rapel”, detalhou Bruno Queiroz.

Caverna da Claraboia | Foto: Reprodução

Diferente de outras grutas que exigem rastejamentos ou espaços confinados, a Caverna da Claraboia proporciona uma descida aberta e arejada, com segurança e contemplação lado a lado. Além disso, todo o passeio ocorre em propriedades particulares. “Os passeios só podem ser feitos por guias daqui da região. Isso devido à uma determinação dos proprietários, para segurança do próprio visitante, e também do próprio atrativo, para não ser degradado” frisou o secretário.

Modelo sustentável e preservação acima de tudo

Assim, a visitação só é permitida mediante agendamento prévio com uma das três agências locais: Mambaí Adventure, Cerrado Aventura e Ecológica Turismo. “Praticamente todos são guias da região, só que todos eles estão vinculados a uma dessas três agências, por causa da segurança jurídica. Então, tem que ter um CNPJ por trás”, afirmou Bruno Queiroz. 

Do mesmo modo, o município desenvolveu um modelo de negócio altamente sustentável. Enquanto as agências pagam os proprietários dos atrativos, esses donos de terra se comprometem a manter as áreas cada vez mais preservadas. “Pra você ter uma ideia, a gente faz uma monitoração de todos esses atrativos turísticos, inclusive a claraboia, que hoje está muito mais preservada do que há 30, 20 anos atrás, quando começou a atividade turística”, celebrou o secretário.

Vale lembrar que a região nunca foi apropriada para agricultura ou pecuária intensiva. “É um local muito cheio de pedras, abismos, de penhascos, de claraboia com essas fendas. Então, para o gado não cair ali, naturalmente os proprietários cercaram essa área e se manteve preservada ao longo do tempo”, explicou Queiroz. 

Consequentemente, a natureza ali reinou soberana por décadas, o conhecimento da caverna existe há cerca de 30 anos, e as atividades turísticas experimentais começaram há 20 anos.

Sem risco de tromba d’água: geografia protege visitantes

Uma dúvida comum entre quem pensa em visitar cavernas é o perigo de enchentes ou trombas d’água. No entanto, em Mambaí e região, esse risco é praticamente nulo.

“Por que isso aqui não tem esse perigo? Principalmente por dois motivos. As nascentes aqui dos nossos rios são todas em vereda. E essa vereda é como se fosse uma esponja, que consegue segurar essa água. Por isso, na época da chuva, o rio não sobe muito, e na época da seca, essa esponja, mesmo sem chuva, ela vai abastecendo os rios”, esclareceu Bruno Queiroz.

Ademais, as cavernas da região, incluindo a da Claraboia, são muito amplas, com tetos altos. “Ainda que o rio varie um pouco, suba um pouco, ou que suba muito, não tem nenhum risco de prender ninguém porque são cavernas com o teto muito alto. Então elas são muito espaçosas”, completou.

Por isso, os atrativos funcionam o ano inteiro, mesmo no período de chuvas (de novembro a março, com pico em dezembro e janeiro). Contudo, a maioria dos visitantes prefere a estação seca, de abril a outubro, quando o tempo fica mais estável.

Economia local e como agendar sua visita

Atualmente, a principal atividade econômica de Mambaí é a prestação de serviços para o agronegócio da região. Entretanto, o turismo já ocupa o segundo lugar, e o mais promissor. 

“Por isso que a gente vê em Mambaí uma oferta muito grande de leitos, de hospedagens, de hotéis de diferentes categorias. A gente tem hotéis aqui com mais de 300 leitos”, destacou o secretário.

Secretário de Turismo de Mambaí, Bruno Queiroz | Foto: Reprodução

Para quem deseja conhecer a Caverna da Claraboia e os demais atrativos, como outras grutas, cachoeiras e fervedouros, o passo a passo é simples. Primeiro, é necessário fazer a reserva com antecedência em uma das três agências oficiais.

“É importante frisar que o visitante precisa fazer o agendamento prévio desses passeios com os agentes com antecedência para que não corra o risco de chegar aqui e no dia não ter guia ou de não ter mais vaga”, alertou Bruno Queiroz. O valor médio de R$ 75 já cobre o guia, a taxa de entrada, o seguro e todos os equipamentos.

Finalmente, para acompanhar novidades e dicas, o turista pode seguir os perfis oficiais no Instagram: @visitemambai, @visiteburitinopolis e @visitedamianopolis.

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