Caso Martha Cozac: Familiares de vítimas e réus acompanham dia de depoimentos

Julgamento do crime ocorrido em outubro de 1996 ouviu testemunhas durante toda a terça-feira (7/6). Trabalhos do júri devem ser encerrados por volta de meia-noite 

Familiares das vítimas e réus acompanham julgamento | Foto: Assessoria TJGO

Familiares das vítimas e réus acompanham julgamento | Foto: Assessoria TJGO

Familiares das vítimas e dos réus acompanham nesta terça-feira (7/6) os depoimentos do julgamento de Frederico da Rocha Talone e Alessandri da Rocha Almeida, acusados da morte de Martha Maria Cozac e do sobrinho dela, Henrique Talone, de 10 anos, em outubro de 1996.
Pela manhã, foram ouvidas sete testemunhas arroladas pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) e a irmã da vítima como informante.

Ao todo, 21 testemunhas foram arroladas para serem ouvidas pela acusação e defesa. Os trabalhos são presididos pelo juiz Eduardo Pio Mascarenhas, do 1° Tribunal do Júri de Goiânia, e a previsão é de que o julgamento termine por volta da meia-noite.

Martha Cozac e o sobrinho Henrique Talone foram mortos a facadas. Os corpos foram encontrados dentro da confeccção “Última Página”, de propriedade de Martha, no setor Sul, em Goiânia.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), Frederico da Rocha Talone, sobrinho e funcionário de Martha na confecção, e Alessandri da Rocha Almeida teriam cometido o crime e em seguida roubaram um cheque no valor de R$1,5 mil assinado e endossado por Martha, no valor de R$ 1,5 mil, a carteira de identidade, cartões de crédito e de banco dela, aparelho de som, jóias e dinheiro.

Depoimentos
A primeira informante ouvida foi Cáthia Cozac, irmã de Matha, o depoimento dela durou cerca de 1h30. Em alguns momentos, Cáthia se emocionou ao falar e os ânimos se exaltaram entre a acusação e defesa. Ela afirmou que pressentiu que alguma coisa havia acontecido com a irmã. “A gente não acredita como que uma pessoa havia morrido naquelas condições. Nem bandido merece morrer daquele jeito. Ela e uma criança. Foi muito triste dar a notícia para minha mãe”, contou chorando.

“Martha reclamou para minha mãe que estava arrependida por ter colocado o Frederico para trabalhar com ela. Mas estava sem jeito de mandá-lo embora”, disse ao responder uma pergunta do defensor Paulo Teles. “Minha irmã era uma mulher de respeito. Se qualquer um de vocês perguntarem quem era Martha Cozac, vão responder isso”, salientou em tom alto.

Outro depoimento foi o da costureira Célia Pereira Pires, funcionária da confecção na época do crime. Ela disse que trabalhou na confecção por oito anos e no dia em que os corpos foram descobertos ela estava na empresa. Ela respondeu por dez minutos as perguntas da acusação e defesa, além de falar da rotina de trabalho de Martha na empresa. Assim como outros funcionários da empresa, Célia afirmou que Frederico era um jovem normal e não possuía qualquer traço de caráter suspeito e que não percebia nada de estranho na relação entre Frederico e sua tia, Martha.

Tanto a irmã de Martha, Cáthia, quanto a mãe de Henrique Talone, Valéria Talone Pinheiro, afirmaram que só começaram a desconfiar de Frederico depois que o delegado Carlos Fernandes assumiu o caso e levantou a suspeita.

Apesar de não desconfiar de Frederico em um primeiro momento, Cáthia afirmou que ele era “problemático” e tinha envolvimento com o tráfico de drogas. Ao júri ela relatou que Martha só mantinha o sobrinho Frederico como funcionário da empresa a pedido dos pais dele.

trabalhos são presididos pelo juiz Eduardo Pio Mascarenhas, do 1° Tribunal do Júri de Goiânia | Foto: Comunicação TJGO

Trabalhos são presididos pelo juiz Eduardo Pio Mascarenhas, do 1° Tribunal do Júri de Goiânia | Foto: Comunicação TJGO

Alonso de Souza Pinheiro, pai de Henrique Talone, levantou suspeita sobre as atitudes de Elcione Maria da Rocha Talone, mãe de Frederico. Segundo Alonso, ele recebeu a notícia da morte do filho Henrique por Elcione, e relatou frieza rudez no tom de voz dela.

Ele relatou que ao chegar no local do crime no dia seguinte, encontrou o tudo limpo. Ainda de acordo com Alonso, vizinhas do estabelecimento relataram que quem fez a limpeza foi Elcione.
Seis meses após o crime, Alonso procurou o governador do Estado, Maguito Vilela, para reclamar sobre a demora e o enfraquecimento das investigações.Na ocasião, Vilela o pediu para indicar um delegado de sua confiança. Ao ouvir o nome de Carlos Fernandes, o governador o designou imediatamente para cuidar do caso.

Alonso afirma que o delegado Carlos, depois de interrogar Frederico três vezes, teve certeza de que encontrou o elemento que faltava para encerrar as investigações.O filho de Elcione, nas interrogativas, apresentava de testemunha a seu favor um homem a quem chamava de “Xandi”. Deste modo, chegou-se a Alessandri da Rocha Almeida, policial militar da família de Frederico. Carlos acreditava que somente uma pessoa com treinamento específico seria capaz de amarrar as vítimas da forma que elas foram amarradas.

Ainda segundo Alonso, nas interrogativas a Alessandri, o réu afirmava que Frederico era “um frouxo” que não seria capaz de cometer tal crime. “Se fosse para alguém cometer isso, seria eu, não ele”, afirmara o réu em uma das ocasiões. Alessandri apresentou três álibis diferentes, que se provaram falsos em conferências posteriores.

Relembre o caso

Familiares das vítimas e réus acompanham julgamento | Foto: Assessoria TJGO

Familiares das vítimas e dos réus acompanham julgamento | Foto: Assessoria TJGO

Martha Cozac e Henrique Talone foram mortos a facadas, no interior da confecção “Última Página”, de propriedade de Martha, no Setor Sul, em Goiânia, em outubro de 2016. Na época, o crime ganhou grande repercussão na mídia local e nacional pela brutalidade dos assassinatos.

Foram deferidas facadas em regiões vitais do corpo da mulher, que foi encontrada nua e com os pés e mãos amarrados. O garoto teria sido morto por presenciar o assassinato da tia. Ele foi encontrado com as mãos e pés amarrados, os olhos vendados e a boca amordaçada. O menino levou dois golpes de faca, que foi deixada cravada em seu corpo.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), Frederico da Rocha Talone, sobrinho de Martha, e Alessandri da Rocha Almeida teriam cometido o crime e em seguida roubaram um cheque preenchido, assinado e endossado por Martha, no valor de R$ 1,5 mil, a carteira de identidade, cartões de crédito e de banco dela, aparelho de som, joias e dinheiro.

Frederico era empregado de Martha, responsável por serviços de contabilidade da empresa, e tinha acesso à senha pessoal da conta dela. De acordo com a denúncia, no dia do crime Martha havia chegado de uma viagem e telefonado para Frederico, pedindo que ele fosse à confecção no dia seguinte para lhe entregar cheques de terceiros que estavam com ele.

Ainda de acordo com o MP, Frederico e Alessandri foram à confecção no mesmo dia, por volta das 23 horas. Martha abriu o portão de sua residência, onde também funcionava a confecção, e a partir daí a dupla teria praticado os assassinatos e fugido com o dinheiro e objetos. (Com informações assessoria TJGO)

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