Caso Martha Cosac: Após 20 anos, réus são absolvidos

Com duração de 32 horas, julgamento terminou com absolvição dos réus Frederico da Rocha Talone e Alessandri da Rocha Almeida

Alessandri e Frederico durante júri da morte de Martha Cozac e seu sobrinho | Foto: Hernany César/ TJGO

Alessandri e Frederico durante júri da morte de Martha Cozac e seu sobrinho | Foto: Hernany César/ TJGO

Após 20 anos do crime e dois dias consecutivos de julgamento, o 1º Tribunal do Júri de Goiânia decidiu, nesta quarta-feira (8/6), pela absolvição dos réus Frederico da Rocha Talone e Alessandri da Rocha Almeida, acusados de matarem a empresária Martha Cozac e seu sobrinho, Henrique Talone Pinheiro, de 11 anos, em outubro de 1996.

A sessão de julgamento teve início na manhã de terça-feira (7) e foi finalizada com a definição da sentença, proferida pelo juiz Eduardo Pio Mascarenhas, por volta das 16h30 desta quarta.

O julgamento, que havia sido marcado inicialmente para março deste ano, foi adiado em cima da hora após a defesa dos réus entrar com um pedido de habeas corpus. À época, a sessão, que não chegou a acontecer, acabou em confusão e bate-boca entre familiares das vítimas e dos réus.

O duplo homicídio, que aconteceu em 7 de outubro de 1996, já havia tido a data do julgamento adiada por três vezes. Nas outras oportunidades, recursos da defesa também impediram a instalação da sessão do júri.

Veja abaixo vídeo do momento em que o juiz Eduardo Pio Mascarenhas proferiu a sentença a favor dos réus:

Debates

Antes da sentença ser proferida, durante a fase dos debates, o promotor Paulo Eduardo Penna Prado fez algumas explanações sobre a denúncia, mostrando os fatos e depoimentos que sustentaram as alegações finais do Ministério Público. Ele exibiu aos jurados fotos das vítimas anexadas aos autos e do local do crime, que segundo ele, confirmariam a materialidade dos fatos.

O promotor fez questão de destacar que o crime ocorreu de forma diferenciada. “A arramação que fizeram em Martha não é qualquer pessoa que faz”, insistiu.

Ainda pelo MPGO, o promotor Guiliano da Silva Lima destacou a impossibilidade de os representantes do órgão terem a intenção de prender inocentes, assim como os magistrados de todos os graus. Ressaltou a importância de cada um dos envolvidos no trâmite processual e reiterou a veracidade das provas carreadas aos autos do processo.

Em seguida, o promotor de justiça Paulo Pereira dos Santos criticou a morosidade provocada pela excessiva quantidade de recursos permitidos pela lei. Falou também sobre a dificuldade de promover a Justiça quando os envolvidos são pessoas com grande poder aquisitivo e a facilidade de contratar profissionais capacitados para promover a sua defesa.

Defesa

Durante o julgamento, a defesa manteve a tese de que os réus não seriam os responsáveis pelo duplo homicídio, e nem sequer estariam em Goiânia no momento do crime. Sobre o exame de DNA requisitado pela defesa e que foi negado pela Justiça, o advogado Paulo Teles garantiu que houve um erro. “O exame deveria ter sido feito não apenas para se descobrir os culpados, mas pelo menos para excluir os inocentes”, disse.

O advogado Ricardo Naves falou também sobre a manipulação de provas e a conduta do delegado de polícia que conduziu o inquérito. Segundo ele, houve um duplo latrocínio e não duplo homicídio. Lembrou que outros suspeitos apontados inicialmente não foram investigados pela Polícia Civil.

A defesa alegou, ainda, supostas contradições no inquérito policial e na elaboração de relatório policial com vícios, que criou uma “falsa esperança” na família das vítimas, além de um “grande embaraço” para os acusados. Lembrou também que a defesa se desdobrou para apagar toda a “campanha sórdida” que foi feita contra os dois acusados.

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Relembre o caso

Martha Cozac e Henrique Talone foram mortos a facadas, no interior da confecção “Última Página”, de propriedade de Martha, no Setor Sul, em Goiânia, em outubro de 1996. Na época, o crime ganhou grande repercussão na mídia local e nacional pela brutalidade dos assassinatos.

Foram deferidas facadas em regiões vitais do corpo da mulher, que foi encontrada nua e com os pés e mãos amarrados. O garoto teria sido morto por presenciar o assassinato da tia. Ele foi encontrado com as mãos e pés amarrados, os olhos vendados e a boca amordaçada. O menino levou dois golpes de faca, que foi deixada cravada em seu corpo.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), Frederico da Rocha Talone, sobrinho de Martha, e Alessandri da Rocha Almeida teriam cometido o crime e em seguida roubaram um cheque preenchido, assinado e endossado por Martha, no valor de R$ 1,5 mil, a carteira de identidade, cartões de crédito e de banco dela, aparelho de som, joias e dinheiro.

Frederico era empregado de Martha, responsável por serviços de contabilidade da empresa, e tinha acesso à senha pessoal da conta dela. De acordo com a denúncia, no dia do crime Martha havia chegado de uma viagem e telefonado para Frederico, pedindo que ele fosse à confecção no dia seguinte para lhe entregar cheques de terceiros que estavam com ele.

Ainda de acordo com o MP, Frederico e Alessandri teriam ido à confecção no mesmo dia, por volta das 23 horas. Martha abriu o portão de sua residência, onde também funcionava a confecção, e a partir daí a dupla teria praticado os assassinatos e fugido com o dinheiro e objetos. (Com informações assessoria TJGO)

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