Caiado visita Materno Infantil e Hugo e diz que situação dos hospitais é preocupante

Uma reunião foi agendada para esta quarta-feira, 2, para discutir alternativas que garantam a continuidade dos atendimentos 

Foto: Divulgação

No primeiro dia como governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), visitou os hospitais Materno-Infantil (HMI) e de Urgências de Goiânia (Hugo). Em caráter de urgência, a visita ocorreu por volta das 22 horas desta terça-feira, 1º, após  o assumir o cargo e prestigiar a posse o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Acompanhado do vice-governador Lincoln Tejota (Pros), do secretário de Saúde, Ismael Alexandrino, e do deputado federal eleito Dr. Zacharias Calil (DEM), Caiado foi conferir a situação de duas das mais importantes unidades de Saúde do Estado, que têm enfrentado graves problemas administrativos e financeiros.

Na última semana, a organização social que administra o Materno-Infantil chegou a fechar as portas da unidade por falta de insumos básicos e medicamentos, após consecutivos atrasos nos repasses por parte da última gestão.

“A situação é preocupante. Viemos porque o colega Zacharias Calil me informou que o diretor do Materno-Infantil o comunicou que não havia mais como suportar o hospital aberto a partir de amanhã pela falta do básico. O único de referência na área em Goiás, já com incapacidade de absorver novos pacientes, cirurgias canceladas e filas enormes. É um quadro caótico, assistimos vidas de crianças que estão correndo alto risco”, revelou.

Caiado foi recebido pelo diretor-geral do HMI, Márcio Gramosa, e por profissionais que trabalhavam no local. Os dados são, de fato, alarmantes e caso não sejam tomadas medidas imediatas, há o risco de que uma nova suspensão no atendimento aconteça.

O responsável pela unidade classificou a situação como “caótica”, destacando que há médicos com mais de três meses de salário atrasado, dívida imediata de R$ 2 milhões com fornecedores de insumos e o rombo ultrapassa os R$ 65 milhões.

“Dezenas de crianças que dependem de tratamento especial estão sendo colocadas em risco. O momento é de buscar entendimento e de pedir um crédito junto aos colegas e mostrar que temos interesse em resolver, mas não é aceitável fechar as portas. Sei das dificuldades, vamos encará-las e temos que achar uma solução. Não posso admitir que um hospital como esse tenha uma resposta simplista. Isso aqui é prioridade acima de qualquer gasto”, garantiu o governador.

Para resolver o impasse, Caiado e Ismael Alexandrino marcaram uma reunião já para esta quarta-feira, 2, quando discutirão com a OS e fornecedores alternativas para que o atendimento não seja paralisado.

O secretário de Saúde reafirmou o compromisso de solucionar a crise no Materno-Infantil e sinalizou possíveis medidas excepcionais a serem tomadas imediatamente.

“Vamos buscar um entendimento um pouco melhor do que o Estado consegue garantir em relação aos compromissos emergenciais. Há uma dívida grande, que impacta tanto o suprimento do hospital, quanto também o pagamento dos funcionários, então há dois grandes problemas. Buscaremos uma solução conjunta, uma construção em várias mãos, que certamente chegaremos a uma solução”, adiantou.

De acordo com a Secretaria da Saúde, o HMI é referência no atendimento infantil e conta com 167 leitos, sendo 25 de UTI (cinco UTIs maternas, dez pediátricas e dez neonatais); 22 leitos de Ucin (Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal), sendo 17 UCcin Convencional e 5 de Ucin Canguru; 122 distribuídos em leitos de internação e observação; e ainda com 30 leitos de retaguarda no Hospital e Maternidade Vila Nova.

Hugo

Em seguida, a comitiva seguiu para o Hospital de Urgências de Goiânia, que teve a assinar um contrato emergencial com uma organização social, após a que administrava a unidade decidir romper o contrato por falta de repasses e descumprimento de acordos.

Caiado foi recebido pelo diretor-geral do Hugo, Ricardo Furtado Mendonça, que traçou um breve panorama sobre as demandas e desafios enfrentados pela unidade. A principal problemática apresentada é justamente a falta de regionalização da Saúde.

Ele explicou que pacientes não conseguem atendimento nas regionais e o fluxo acaba todo direcionado para a unidade. Além disso, a média de internação, o número de cirurgias e o dimensionamento das vagas estão abaixo do potencial da unidade.

“Vamos buscar mais números e avaliação para termos noção do que teremos que enfrentar, mas sabemos que a demanda pela saúde atinge 47% da população do Estado, é o ponto mais crítico. Precisamos que o Hugo tenha uma capacidade de fazer giro maior, mais atendimentos e números de cirurgias maiores nesse hospital de alto custo”, defendeu o governador.

O diretor-geral revelou ainda que o recurso para pagamento do salário referente ao mês de dezembro dos profissionais do hospital ainda não foi depositado na conta da OS. Inclusive, houve reclamações de que pagamento quase nunca caia no quinto dia útil do mês como determina a legislação.

“Espero poder contar cada vez mais com a participação dos colegas médicos, de todos os servidores, pois estamos trabalhando duro junto ao governo federal para poder desafogar essa demanda reprimida na Saúde. Tenho fé que vamos superar as dificuldades”, arrematou.
Dívidas

Segundo dados preliminares, há uma dívida na ordem de R$ 260 milhões com as organizações sociais, além de passivo com fornecedores e prestadores de serviço. A expectativa era de que a quitação de tais débitos tivesse sido feita durante a gestão passas, o que não ocorreu.

O secretário Ismael Alexandrino, que toma posse nesta quarta-feira, 2, deve concluir em breve um levantamento de todo o passivo da pasta e apresentar as primeiras medidas para superar a crise.

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