Caso o ex-juiz decida sair do partido isso poderia implicar sua candidatura à Presidência da República

Após Sérgio Moro, assinar a ficha de filiação ao União Brasil, nesta quinta-feira, 31, ACM Neto, secretário-geral da legenda e um grupo de dirigentes do partido, dentre eles Ronaldo Caiado, assinaram uma carta em que afirmaram que não admitem Moro disputar o cargo de Presidência da República pelo partido. Os dirigentes que assinaram o documento representam 49% dos votos da Executiva nacional o que poderia impedir a filiação de Moro.

Na carta, os dirigentes deixam claro que o ex-juiz é bem vindo ao partido, mas apenas para disputar cargos como candidato a deputado ou a senador por São Paulo ou Paraná. “Nós, membros da Comissão Instituidora do União Brasil, reconhecemos a importância e respeitamos a trajetória na vida pública do ex-ministro Sergio Moro. Entendemos, também, que Moro pode contribuir muito para o debate político nacional. Entretanto, deixamos claro que o seu eventual ingresso ao União Brasil não pode se dar na condição de pré-candidato à Presidência da República”, diz um trecho da carta.

O próprio ACM Neto teria tido uma conversa com Moro mostrando o posicionamento dos dirigentes ex-DEM na carta divulgada. O ex-juiz teria admitido que não tentaria concorrer à Presidência da República. Contudo, caso Moro decida sair do partido, isso impediria ele de disputar as eleições, já que o prazo para filiações para quem deseja concorrer em outubro acaba amanhã, dia 2 de abril.

Apesar do União Brasil ter um fundo eleitoral e partidário robusto, além de ter mais tempo de televisão, eles não parecem interessados em gastar dinheiro com uma candidatura de Moro à Presidência do Brasil. Não é a primeira vez que Moro enfrenta esse desinteresse partidário. Em novembro do ano passado, Moro se filiou ao Podemos também afirmando ter o propósito de ser candidato ao Palácio do Planalto. Contudo, após a presidente do partido, Renata Abreu (SP), dizer a aliados não estar disposta a investir financeiramente numa campanha à Presidência, o ex-juiz decidiu trocar de partido.