Caiado: “Basta extirpar o PT que a crise brasileira acaba”

Senador goiano participou do programa Roda Viva, quando defendeu a renúncia da presidente Dilma e a realização de novas eleições

Ronaldo Caiado foi o entrevistado do programa Roda Viva da última segunda-feira. Posições firmes marcaram a participação | Foto: reprodução / Roda Viva

Ronaldo Caiado foi o entrevistado do programa Roda Viva da última segunda-feira. Posições firmes marcaram a participação | Foto: reprodução / Roda Viva

O senador Ronaldo Caiado (DEM) foi o entrevistado da última segunda-feira (4/8) do programa Roda Viva, da TV Cultura. Durante uma hora e meia, o goiano analisou a atual situação política do País, falou sobre sua história e objetivos políticos.

Um dos mais aguerridos críticos do atual governo, o senador eleito por Goiás com 1,3 milhão de votos em 2014 foi categórico: “Basta extirpar o PT que a crise brasileira acaba”. E ainda deu prazo: “Em 10 meses”.

De acordo com o líder do Democratas no Senado, a grande culpada da atual situação de desestabilidade é a esquerda, representada pelo partido da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Que não foram poupados de críticas.

“Lula herdou todo nosso espólio e, baseado em teses populistas, iludiu a população, anestesiando as pessoas, vendendo a ideia de que podiam dar a elas cidadania. O que está ocorrendo hoje é o desespero, o desemprego, cidadão não tendo mais perspectiva nem mesmo de estar inserido em um programa social. Essa é esquerda que não tem compromisso com a ética”, lamentou.

No que diz respeito à atual mandatária, o senador defende que Dilma renuncie e convoque novas eleições, pois a sociedade foi “iludida” no ano passado, o que configura clara prática de “estelionato eleitoral”. “No presidencialismo não adianta vir com tese de ajuste fiscal porque ele está junto com estrutura de governo que tem a corrupção implantada. O povo não confia. Digo que mais vale a mão que dá o remédio do que o próprio remédio. Não adianta tapar o sol com a peneira”, completou.

Convicto, o goiano sugere que, caso não haja a renúncia, não será difícil que o Congresso aprove o impeachment. Em especial após as manifestações marcadas para o dia 16 de agosto, que prometem levar brasileiros novamente às ruas de todo o País. Caiado assegurou que participará dos protestos — como fez nos dois últimos.

Papel da oposição 
Caiado: "Esse governo atual é ilegítimo e qualquer ação vinda dele não há respaldo popular" | Foto: reprodução / Roda Viva

Caiado: “Esse governo atual é ilegítimo e qualquer ação vinda dele não há respaldo popular” | Foto: reprodução / Roda Viva

Considerado um dos principais nomes de oposição ao PT em todo o Brasil, Ronaldo Caiado defendeu que a coerência é o grande diferencial na política. “Coerência é algo que demora mas que você colhe frutos e tem resultados. No meu primeiro debate para a Presidência, em 1989, tive oportunidade de dizer a Lula que se o PT chegasse ao poder iríamos assistir ao maior colapso administrativo que o Brasil já viu”, lembrou ele.

Questionado se há uma onda “conservadora” hoje, o senador discorda: “É, na verdade, moralizadora”. Para ele, os anos do PT no poder culminaram na descrença das pessoas, em especial dos jovens. E é dever dos que não comungam com os ideais do governo resgatar a credibilidade perdida.

Caiado rebateu, ainda, acusações por parte de governistas, que tentam imputar à oposição o “discurso do ódio” e de incitarem o “golpe”. “Quem começou com esse clima de ódio no Brasil não fui eu, foi o PT. Ninguém mais fomentou o apartheid social no Brasil que o PT. Eles é que a vida inteira trabalharam assim”, afirmou.

Ele destacou, ainda, a prisão do ex-ministro José Dirceu na última segunda (3), como prova de que o esquema de corrupção é intrínseco ao governo do PT. “O esquema é único. O do mensalão é o mesmo do Petrolão. É um esquema montado pelo Lula e pelo Dirceu e continuado por Dilma. Tudo com o objetivo de se manter no poder”, acusou.

“Ninguém é mais cumpridor de regras democráticas do que nós. Jamais aceitaremos riscos à democracia. Colocar discussão de nova eleição como golpe é um tapa na cara da sociedade. Colocam as urnas como as águas do Jordão, como se limpasse toda a corrupção”, arrematou.

PMDB é solução?
Caricatura feita durante o programa | Foto: reprodução / Roda Viva

Caricatura feita durante o programa | Foto: reprodução / Roda Viva

Aliado ao PMDB em Goiás, Ronaldo Caiado evitou falar sobre o envolvimento de líderes do partido nos esquemas de corrupção do PT. Ao falar sobre Renan Calheiros e Eduardo Cunha, presidentes do Senado e Câmara Federal, respectivamente, o senador goiano sustentou que não se pode “perder o foco” — o PT — e que estes terão que “responder” na Justiça. “Se ficarmos nos intermediários não vai resolver nada para o País”, desconversou.

No cenário em que Dilma é cassada e Michel Temer, do PMDB, assume a presidência, Caiado se mostra descrente. “O momento hoje é da maior gravidade que já vivi em toda a  história política do país. Não estamos em fim de mandato. São apenas seis meses. Não vejo uma solução para o problema sendo contemplada com acordos de cúpula. Isso não vai gerar nada. O momento é de termos postura, em respeito à população, e convocarmos nova eleição”, defendeu.

E seguiu criticando: “Temos de ter a coragem de dizer que nesse momento não há  mais espaço para conchavos. Esse governo atual é ilegítimo e qualquer ação vinda dele não há respaldo popular. Não vejo saída fora novas eleições. O Lula que produziu todo esse desastre”.

Goiás
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Caiado é entrevistado no Roda Viva | Foto: reprodução / Roda Viva

Quando o assunto foi a relação entre PSDB e DEM, Caiado fez questão de elogiar colegas tucanos, como o senador Aécio Neves (MG) e Aloysio Nunes (SP). No entanto, não poupou críticas ao governador de Goiás, Marconi Perillo — a quem já foi aliado. Caiado chegou a dizer que a boa relação entre o governador goiano e a presidente Dilma se dá porque ambos têm “as mesmas práticas”.

O ponto nevrálgico das críticas a Marconi foi a Celg. Segundo o senador, a estrutura da empresa foi utilizada da mesma maneira como o governo federal utilizou a Petrobras e chamou a privatização da estatal de “Petrolão goiano”. “Sou liberal mas sou contra a privatização da Celg. Porque isso é esconder um escândalo que é um prejuízo enorme para Goiás”, completou ele.

Veja o programa na íntegra:

https://www.youtube.com/watch?v=KC53vU1KHO0

 

 

 

 

2 respostas para “Caiado: “Basta extirpar o PT que a crise brasileira acaba””

  1. Anota disse:

    Ainda bem que a vossa excelência é exímia de qualquer falcatrua, de qualquer negociata assim como toda a família Caiado, que jamais apoiaria qualquer prática imoral e antiética.

  2. Carol disse:

    Ronaldo Caiado inspira credibilidade. Realmente vejo um líder político que sim pode tirar o Brasil da situação que está!

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