Uma professora de educação física foi presa em flagrante, mas acabou solta em audiência de custódia nesta quinta-feira, 6, sob suspeita de abandonar a própria cachorra, que estava com uma ferida grave e sem uma das orelhas, na porta de casa, em Goiânia. A cachorrinha foi resgatada e apelidada de Fênix, pelo projeto independente ‘Patas com Propósito’ @patascompropositogo. Segundo os vizinhos, a suspeita usava os animais de raça para procriação e venda de filhotes, mas os descartava quando não “serviam” mais para ela.

Conforme apurou a reportagem, a situação veio à tona depois que vizinhos denunciaram o sofrimento extremo do animal, que permanecia há semanas na calçada, visivelmente debilitado, com o ferimento exposto e sem atendimento veterinário. A tutora, no entanto, sabia do estado da cachorra e, segundo testemunhas, optou por ignorar a condição da cachorra, colocando-a para fora de casa. Diante da comoção e das evidências, a Polícia Civil foi acionada, e a professora foi presa sob suspeita de maus-tratos.

De acordo com a delegada Simelli Lemes, titular do Grupo de Proteção Animal (GPA), a suspeita terá de cumprir medidas cautelares, como a proibição de sair de Goiânia por mais de 30 dias, comparecimento periódico à Justiça a cada seis meses e a obrigação de não se envolver em outros crimes. Em entrevista ao Jornal Opção, ela ressaltou que o crime de maus-tratos pode levar a até cinco anos de prisão. “Ontem soube que a cachorrinha estava evoluindo bem, fazendo os exames, graças ao Projeto com Propósito foi resgatada”, afirmou a delegada.

O resgate, no entanto, aconteceu em circunstâncias muito difíceis. Michelle, protetora à frente do Patas com Propósito, explicou que a equipe foi acionada pelas redes sociais e, embora a alta demanda de casos impedisse novos resgates, a gravidade da situação exigiu ação imediata. “O que mais chocou a gente, além da situação de que a cachorra já estava há mais de semanas na porta da própria casa, foi a questão de omissão e de negligência da própria tutora, né? Ela teve conhecimento desde o início sobre a situação da cachorra. Tanto é que ela colocou o animal para fora”, relatou. 

Vizinhos ainda informaram que na residência já haviam ocorrido outras denúncias de maus-tratos, e os animais eram usados para procriação e venda de filhotes, sendo descartados quando não geravam mais lucro.

Michelle contou que, ao se dirigir ao local para buscar a cadela, o animal simplesmente desapareceu em apenas 30 minutos. “Quando eu fui buscar ela, o animal sumiu, literalmente. Foi o prazo de 30 minutos da vizinha buscar uma corda pra amarrar o cachorro até eu chegar. O animal sumiu. Tinha uma mata do lado da casa. Eu comecei a procurar por ela. Um odor muito forte vindo de dentro da mata, que era do próprio cachorro. Achei que ela já tinha até morrido dentro da mata”, descreveu. 

Ela encontrou a cachorra em um local de difícil acesso, tampada por pneus, o que levou a protetora a suspeitar de intenção deliberada para ocultar o animal, já que a polícia estava a caminho. “Eu não consigo realmente afirmar que aquilo ali foi feito intencionalmente. Se ela estava ali presa. Exatamente porque a polícia estava a caminho da residência dessa mulher. Ela teve ciência disso. Tanto é que ela saiu da casa antes. E eu não sei se eles prenderam o animal dentro da mata com esses pneus exatamente pra gente não ter acesso ao animal e nem à polícia”, desabafou.

Atualmente, a cadela Fênix está internada na Clínica Veterinária Pegasus e, segundo Michelle, não corre risco de morte, embora o quadro exija cuidados intensivos. “Ela se encontra, assim, fora de risco até então. A gente nunca dá certeza de nada. Mas, se tudo der certo, essa semana ela ainda sai da clínica para cuidados”, concluiu a protetora.

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