Um impasse político e jurídico começa a se desenhar na disputa pelo governo de Goiás após o Partido dos Trabalhadores (PT) e o PSDB, liderado pelo ex-governador Marconi Perillo, registrarem o mesmo nome para suas coligações: “Goiás Pode Mais”.

Documentos das convenções partidárias mostram que a Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PCdoB e PV — aprovou o nome ainda no dia 1º de agosto, durante reunião em Goiânia. Já a Federação PSDB/Cidadania deliberou pelo uso da mesma denominação dias depois, em convenção realizada em 5 de agosto.

A diferença de datas sustenta o argumento petista de prioridade sobre o uso do slogan.

O Jornal Opção tentou contato com ambos os partidos e aguarda retorno.

PT reivindica direito ao nome

Secretário de organização do PT em Goiás, Kainann Santana afirma que o partido não pretende abrir mão da marca.“Nós registramos o nome primeiro, que foi sugerido internamente e teve aval de todos. Temos direito a permanecer com ele.”

Para o secretário de comunicação do PT em Goiás, Nelson Galvão, a diferença de datas é determinante para o desfecho do impasse. “Eu não sei se foi plágio ou coincidência. Mas, pela lógica, eles é que vão ter que mudar o nome da coligação, porque nós registramos primeiro. Data na Justiça é coisa muito importante”, afirmou em entrevista ao Jornal Opção.

Nos bastidores, a avaliação é que o nome já integra a estratégia de comunicação da coligação e não deve ser alterado.

PSDB também oficializou slogan

Apesar da anterioridade do PT, a ata da convenção da federação liderada por Marconi Perillo confirma que o nome também foi aprovado formalmente como identificação da coligação majoritária.

O documento registra que a aliança entre PSDB, Cidadania, DC e PRTB concorrerá sob a mesma denominação “Goiás Pode Mais”, indicando que o grupo tucano também pretende manter o uso.

Possível disputa jurídica

A coincidência abre espaço para questionamentos na Justiça Eleitoral. Especialistas apontam que, embora slogans de campanha não tenham necessariamente exclusividade automática, a comprovação de uso anterior e registro formal pode pesar em eventual disputa.

O caso pode evoluir para:

  • contestação formal no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-GO);
  • tentativa de acordo entre as campanhas;

Impacto político

Além do aspecto jurídico, o episódio tende a ganhar contornos políticos, com possibilidade de acusações de cópia ou apropriação de estratégia entre adversários diretos na disputa estadual.

O uso simultâneo de um mesmo slogan por grupos opostos também pode gerar confusão no eleitorado e afetar a identidade das campanhas.

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