Bolsonaro chama jornalista Glenn Greenwald de “malandro” e diz que talvez “pegue uma cana” no Brasil

“Ao contrário do que Bolsonaro deseja, não temos uma ditadura”, responde Glenn Greenwald

Bolsonaro e Greenwald: troca de farpas pela imprensa | Fotos: Renan Accioly / Jornal Opção | Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou neste sábado, 27, no Rio de Janeiro, que o editor do Intercept Brasil Glenn Greenwald “talvez pegue uma cana aqui no Brasil”. A afirmação foi feita durante entrevista, em que Bolsonaro classifica de “malandros” Greenwald e o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) por terem se casado e adotado dois filhos para o jornalista não ser deportado.

Na entrevista, o presidente Bolsonaro fazia referência à portaria publicada pelo ministro da Justiça Sérgio Moro, que estabelece a deportação de estrangeiros considerados perigosos ou que tenham praticado atos contrários à Constituição Federal. “Ele [Glenn] não se encaixa na portaria. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar um problema desse, casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não”, afirmou o presidente.

Greenwald é cidadão dos Estados Unidos e mora no Rio de Janeiro. Ele é casado com um brasileiro, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), com quem tem dois filhos adotivos, também nascidos no país.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, neste sábado, 27, Glenn Greenwald afirmou que a declaração de Bolsonaro sobre uma eventual prisão não faz sentido. “Ao contrário do que Bolsonaro deseja, não temos uma ditadura, temos uma democracia e para prender alguém é preciso mostrar evidencia de que a pessoa que você quer prender cometeu algum crime”, frisou.

Ainda à Folha, o jornalista afirmou estar casado com o deputado David há quase 15 anos e que a declaração do presidente que o chamou de “malandro” para escapar de uma deportação é absurda. “Evidentemente Bolsonaro acha que tenho poder para prever o futuro, que depois de mais de dez anos eu precisaria dessa proteção para não ser deportado.”

Glenn Greenwald escreveu em uma rede social que, ao publicar a portaria, Moro faz “terrorismo”. “Hoje [sexta] Sergio Moro decidiu publicar aleatoriamente uma lei [portaria] sobre como os estrangeiros podem ser sumariamente deportados ou expulsos do Brasil ‘que tenham praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal.’ Isso é terrorismo”, apontou o jornalista.

Greenwald é editor do site The Intercept Brasil e tem publicado reportagens com base em diálogos realizados pelo Telegram do ministro Sergio Moro e de procuradores da Lava Jato.

O governo Lula tentou suspender, em 2004, o visto do correspondente do The New York Times no Brasil, Larry Rohter, após o jornalista afirmar que excesso de álcool afetava Lula. O governo voltou atrás na decisão, após Rohter reconsiderar a afirmação. ​

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