Benzedeiras de Goiânia mantêm tradição de cura pela fé

Confira os relatos dessas “agentes do bem estar” que continuam resistindo ao tempo e se adaptando, atendendo até mesmo pela internet

Reprodução

Há mais de 30 anos morando na mesma casa no Setor Pedro Ludovico em Goiânia, a benzedeira Ana Ilza de Sá, ou Donana, como alguns chamam, de 66 anos, nasceu em Pirenópolis e faz questão de dizer que é aquariana. Atendendo quem a procura, sem cobrar nada por isso (doações são bem vindas), Donana recebeu o Jornal Opção para falar sobre seu trabalho, que também completa mais de três décadas, e sobre a procura por benzedeiras atualmente.

Antes de falar com Donana, porém, a reportagem acompanhou a benzeção do Senhor Floreano e de sua filha Yana. Floreano disse que já havia se benzido algumas vezes e que, naquele dia, procurou a benzedeira porque estava sentindo “olho gordo” à sua volta há um tempo. Já Yana, nunca havia se benzido.

A benção ou “benzeção” é rápida. Com algumas plantas recolhidas do seu jardim Donana fez suas orações em pé, primeiro para Floreano, depois para Yana e, ambos, após a ação, admitiram sentir uma leve tontura ou sonolência, deixando a casa com a confirmação de uma melhora do estado em que estavam antes de chegar.

“É normal”, diz a benzedeira sobre a tontura. “Dependendo da pessoa a moleza é tanta que é preciso de mais sessões. Tudo é energia, por isso as pessoas se sentem assim depois da benzeção.” Na sua sala, sentada próxima a um pequeno altar montado sobre uma máquina de costura Singer – daquelas antigas que tem em algumas casas de vó – Donana explicou sobre seu trabalho.

Jardim da benzedeira Donana | Foto: Nathan Sampaio

“No começo, tudo que eu sentia era vontade de tirar a dor do outro, fazer o outro se sentir melhor e eu tenho essa habilidade, mas não depende só de mim. Sinto que tenho o poder de despertar a força que há nas pessoas, essa força que é Deus em sua manifestação mais pura”, explica a benzedeira que vê tudo isso como um mistério até hoje, apesar de suas inúmeras virtudes mediúnicas.

Considerando-se uma espiritualista, ou seja, sem se ligar a nenhuma religião específica, Donana contou ainda que ao que longo da sua vida estudou e continua estudando diversos métodos sobre suas práticas. Quiromancia, técnicas de benzimento e de limpeza energética (da pessoa e de estabelecimentos), leitura de tarô, de mãos e orientações espirituais estão entre os trabalhos da benzedeira.

Recentemente Donana ingressou na rede. Ela pode ser encontrada em uma página na internet ou mesmo no whatsapp, onde tenta acompanhar e responder a todos. “Faz pouco mais de um ano que resolvi ficar online, é algo que ajuda muito, facilita”, conta. Ela, porém, não autorizou a divulgação de seu endereço e telefone, pois disse que quem precisa mesmo a procura e encontra com facilidade.

No Jardim América, a reportagem também encontrou uma senhora que desde nova sabia ter mediunidade aflorada. Eurípia Venância de Matos, de 90 anos nasceu em Pedregulho, São Paulo, vindo para Goiás com os pais ainda criança. Quando seus “poderes” surgiram, na juventude, a família que era católica não se opôs ao seu caminho espiritual, pois consideravam como uma forma de distribuir o bem através da oração e das bênçãos impostas pelas mãos da então benzedeira.

Hoje Eurípia, mãe de quatro filhos (dois vivos), nove netos e 12 bisnetos, também é uma referência em benzeção na capital, procurada por muitos goianos. “Deus me deu essa força para benzer e ajudar as pessoas e é assim que tento fazer o bem”, diz ela que traz, em suas orações, invocação de santos da tradição católica.

Tenda da benzeção

“Tenda da Benzeção” na Avenida T-63

Um ponto em plena Avenida T-63 também não poderia passar batido. Qualquer pessoa que more na região já deve ter notado uma casa verde que tem resistido, em meio aos prédios, se mantendo da mesma forma. A “tenda da benzeção”, como é chamada, é da benzedeira Tânia Aparecida Janoviche, de 54 anos, que também está no local há mais de trinta anos.

“Meus pais compraram essa casa quando eu era moça, mas nessa época eu já sabia que era mediúnica, sempre soube, na verdade”, conta Tânia que ficou com a casa como herança. Ela reforçou que o trabalho de uma benzedeira é sempre trazer o melhor pelas pessoas “plantar o bem para colher o bem”. Muito procurada pelas pessoas, ela também revelou o outro lado do seu trabalho, o preconceito vindo de outras religiões.

“Muitas pessoas de outras religiões não respeitam apenas por olhar a fachada da minha casa, ou pelo trabalho que faço. Mas tudo que eu quero pra mim é paz e o que eu busco dar pras pessoas também”, desabafa.

Como benzedeira, além de tentar ajudar as pessoas, Tânia gosta de ensinar para quem a procura, a compreensão com as diferenças entre as religiões e os trabalhos feitos por pessoas mediúnicas, pois segundo ela muitos confundem e colocam tudo no mesmo patamar. “O que eu faço é pelo amor e pela união e assim deve ser”, conclui ela que disse pretender levar isso até quando tiver forças.

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TERESA CORBETTA

QUERO ME CURAR DA DEPRESSÃO