Carlos César Higa

Joseph Ratzinger se tornou Bento XVI em 2005, depois do longo e marcante pontificado de João Paulo II. “Sou um humilde servo da videira do Senhor”, disse da sacada da Basílica de São Pedro, no Vaticano, depois de sua eleição. O povo começou a se dirigir à Praça São Pedro para ouvir os seus ensinamentos. E ele tinha muito a nos ensinar. Os livros “Jesus de Nazaré” nos mostram o seu conhecimento sobre a Palavra de Deus e a Igreja.

Bento XVI soube amar a Deus, a Igreja e o seu povo. Durante os oito anos de pontificado, ele defendeu a doutrina, se aproximou dos fiéis e, acima de tudo, foi fiel à Sagrada Escritura. Pouco antes de renunciar ao trono petrino, se encontrou com o clero romano e falou durante 50 minutos sobre o Concílio Vaticano II, quem 2013 recordávamos seu cinquentenário.

No livro “O Último Testamento”, Bento XVI fala sobre a sua renúncia com muita serenidade. Ele reconheceu as suas limitações e a necessidade de outra pessoa o substituir para continuar guiando a barca de Pedro. Talvez ele não quisesse expor as dores do corpo como fez João Paulo II. Bento XVI soube muito bem ser um papa emérito ao permanecer em oração pela Igreja e por todos nós. Durante dez anos, a Igreja se manteve unida tendo a graça de ter dois santos-padres, um a guiando e outro intercedendo por ela.

Bento XVI fez sua Páscoa hoje. Tal qual São Paulo, combateu o bom combate, guardou a fé. São Pedro vai dar um longo abraço no seu sucessor e nós ganhamos um intercessor que está pertinho de Deus.

Carlos César Higa é mestre em História pela Universidades Federal de Goiás.