Bancada do PMDB na Câmara de Goiânia diverge sobre expulsão de Friboi

Clécio Alves, Eudes Vigor, Izídio Alves, Denício Trindade e Mizair Lemes Jr. repercutiram a decisão da executiva estadual. Dois deles lamentaram a saída do empresário

Bancada do PMDB diverge sobre expulsão do PMDB | Fotos: Alberto Maia/Câmara de Goiânia

Denício Trindade (à esq.), Clécio Alves, Mizair Lemes Jr., Izídio Alves e Eudes Vigor formam a bancada do PMDB  na Câmara | Fotos: Alberto Maia/Câmara de Goiânia

Cinco dos seis vereadores do PMDB com mandato na Câmara de Goiânia avaliaram o processo definitivo de expulsão do empresário Júnior Friboi, efetivado pelo diretório estadual da legenda no início da semana.

Enquanto Mizair Lemes Jr., Denício Trindade e Izídio Alves concordam com a saída do pré-candidato a governador em 2014, Eudes Vigor e Clécio Alves avaliam a decisão como preocupante.

Célia Valadão preferiu não se manifestar sobre o caso.

Bom sinal

“O PMDB começa a dar sinais positivos de não compactuar com a infidelidade dos companheiros que, quando chega ao momento das eleições, não atendem aos [pedidos] candidatos do partido, como foi no caso de Iris Rezende [derrotado no pleito ao governo estadual em 2014]”, disse Mizair Lemes Jr. Ele era ex-presidente do diretório metropolitano — destituído por comissão provisória liderada pelo deputado Bruno Peixoto e o vice-prefeito da capital Agenor Mariano.

O jovem vereador avalia que houve posicionamento contraditório de Friboi que, poucos dias antes das eleições, divulgou carta declarando que o atual governador, Marconi Perillo (PSDB), seria o melhor candidato a apoiar. “Isso aí acabou prejudicando o diretamente o PMDB, que tinha candidato próprio. A executiva estadual fez certo em não concordar com armações e composições para beneficiar grupo político A ou B.”

Questionado se a saída de Friboi não causaria derrocada no partido, Mizair respondeu que essa é a oportunidade para aqueles filiados que não apoiam chapas peemedebistas possam procurar outros partidos. “Quem não soma, não adianta ficar só para ocupar espaço.”

Generoso

Izídio Alves alega que não teve acesso ao conteúdo do processo. “Por isso, posso dar pouco palpite. Mas acho que se for para ser do PMDB, o cara tem que ser peemedebista e pronto.” Perguntado se a decisão pela saída do empresário afetaria de alguma forma as eleições municipais na capital, o vereador fez a seguinte análise: “Sei que ele fazia muitas coisas para outros companheiros, não sei se foi comprado ou aliado. Era muito generoso.”

Cumpriu estatuto

A avaliação de Denício Trindade — ex-secretário de duas influentes pastas do Paço Municipal — é a de que a executiva peemedebista cumpriu com o estatuto partidário. “Aquele que tem ou tiver infidelidade partidária tem que ser expulso. Foi o que o Júnior provou a todos em um momento de decisão e embate político, em que foi contra o próprio partido.”

De acordo com o vereador, o ex-pré-candidato ao governo estadual “tem que ficar como empresário mesmo” para não afetar a saúde do Grupo JBS/Friboi. “De forma alguma a sua saída pode nos prejudicar. Temos é que nos fortalecer e tomar atitude de partido.”

Lamentável

Já Clécio Alves, ex-presidente da Câmara de Vereadores e suplente de deputado estadual, ligado ao grupo irista, vê a expulsão como lamentável. “Todo partido quando perde um filiado é ruim. Ele é extremamente importante e valoroso. Lamento o final de como tudo aconteceu, pois representa muito para o PMDB e qualquer partido. Qualquer um quer tê-lo como filiado.”

Vereador mais votado nas últimas eleições municipais, Clécio opina que o PMDB estadual deve expulsar sim os 11 prefeitos do interior que “vergonhosamente” deixaram de apoiar o ex-prefeito Iris Rezende para participar da campanha tucana. Entre eles os de Turvelândia (Ailton Minervino), Niquelândia (Luiz Teixeira), Goiatuba (Fernando Vasconcelos), São Luiz do Norte (Jacob Ferreira), São Patrício (João Eustáquio), Porteirão (José Cunha), Portelândia (Adão Diogo) e Caiapônia (Argemiro Rodrigues).

Tal grupo o vereador classificou como sendo de “bandidos” e “malandros” por apoiar o candidato adversário explicitamente. “Não vejo ninguém falar que vai expulsar essa corja, esse lixo do PMDB, que nos envergonham. Eles sim tinham mandatos, eram chefes do Poder Executivo em cidades importantes. No entanto, o PMDB não tomou nenhuma atitude”, criticou.

Apesar das reclamações, o ex-presidente afirma que respeita a decisão da executiva. “Só lamento, é uma perda grande.”

Delicado

Cumprindo mandato de suplemente no lugar de Paulo Borges, nomeado secretário da Prefeitura de Goiânia, Eudes Vigor defende a manutenção de Friboi na legenda. “É um assunto delicado. Sinceramente, não gostaria de ver integrante do meu partido expulso. Especialmente uma figura do tamanho que é o Friboi”, diz.

O vereador realça que a decisão partidária tem de ser respeitada e que o empresário recebia bem candidatos a vereador e a prefeito em eleições passadas. “Ele militava bem politicamente e o partido perde muito com isso”, completou.

Uma resposta para “Bancada do PMDB na Câmara de Goiânia diverge sobre expulsão de Friboi”

  1. Avatar Caio Maior disse:

    A frase “o empresário recebia bem candidatos a vereador e a prefeito em eleições passadas” (!!!) traduz a dimensão exata da “militância” desse empresário político.

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