Bancada da segurança sai em defesa de ação truculenta da Guarda Civil

Romário Policarpo, Sargento Novandir, Cabo Senna e o pastor Oseias Varão atacaram manifestantes que ocuparam Secretaria de Educação

Guarda não é para dialogar, quem dialoga é o secretário de Educação, o prefeito”, defendeu Romário Policárpio | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

A bancada ligada à segurança pública na Câmara Municipal de Goiânia se revezou na manhã desta quinta-feira (27/4) para sair em defesa da ação truculenta de desocupação da Secretaria Municipal de Goiânia pela Guarda Civil Metropolitana.

Na noite da última quarta (26), professores e alunos ocuparam a sede da SME na capital para protestar contra a gestão do prefeito Iris Rezende (PMDB) e a falta de diálogo do secretário Marcelo da Costa.

No entanto, em menos de quatro horas de protestos, os guardas civis comandaram uma ação que deixou dezenas de feridos, causou pânico nas proximidades do local e culminou na detenção de servidores. Vídeos e fotos mostram o cenário de guerra, que contou com balas de borracha e bombas de efeito moral.

Mesmo assim, para Romário Policarpo, que é guarda civil metropolitano e, inclusive, indicou o atual comandante da corporação, José Eulálio Vieira, trata-se de um procedimento “padrão”. Ao Jornal Opção, ele ressaltou que a Guarda estava respaldada pela lei e classificou como “interessante” a condução da desocupação.

“Todo mundo falando de violência contra os professores, mas não mostram eles invadindo a secretaria e ameaçando professores e colegas que estavam trabalhando. Não vi ninguém da imprensa mostrando material apreendido, como bombas de pimenta, pá, tijolos e pedras que foram usados contra a Guarda”, questionou.

Para ele, quem deveria negociar com os manifestantes não eram os guardas, mas, sim, a gestão Iris. “Foi procedimento de um grupamento policial que entrou para reintegração de posse. Guarda não é para dialogar, quem dialoga é o secretário de Educação, o prefeito”, asseverou.

Na tribuna, ele foi ainda mais enérgico: disse que classificar a ação da Guarda como “truculenta” é uma “piada”. Com fotos de manifestantes com rosto coberto e um vidro de um carro que teria sido quebrado pelos manifestantes, ele acusou os “invasores” de colocar servidores em cárcere privado e depredar patrimônio.

“Quem se machucou foi porque correu contra a tropa, quem ataca policial vai se machucar. Polícia se defende porque tem família”, arrematou.

Sargento Novandir (PTN), que é policial militar, foi mais comedido ao dizer que a manifestação dos professores é justa, pois a prefeitura “não respeita a categoria” e a classe está “desmoralizada”. Porém, lamentou os “vândalos” infiltrados no movimento.

“Eles atacaram os guardas municipais, que fizeram seu papel e revidaram a injusta agressão que receberam, havia até coquetel molotov. O ruim é ver que o foco foi disperso, fala-se mal da Guarda e esquece o foco que é a reivindicações da Educação”, lamentou.

Bancada da Bíblia

Representante da Assembleia de Deus, o pastor Oseias Varão (PSB) fez um dos discursos mais agressivos da manhã. Disse que os professores e manifestantes feriram o Código Penal e, portanto, eram “bandidos” e “criminosos”; enalteceu o trabalho da Guarda Civil Metropolitana e comemorou a ação.

“Vejo aqui o justo sendo tratado como injusto. Quero mostrar como se iniciou a invasão do patrimônio do povo. Pessoas relativizando o patrimônio público. Não é ocupação não! É invasão. Não está garantido esse direito nas leis brasileiras, esse discurso está fora dos princípios democráticos e eu sou democrata”, discursou. 

O parlamentar mostrou um vídeo dos manifestantes entrando em uma sala e pedindo para que os funcionários da secretaria deixassem o local, pois eles estavam ocupando. “Ameaçaram servidores, ninguém aqui defendeu os servidores, só os bandidos”, criticou.

Oseias Varão garantiu, ainda, que a população está do lado da Guarda Civil e apoia a desocupação sim. “População não está do lado dos invasores, foi-se a época que o discurso petista dominava nossa sociedade. Estou falando do PT, mas são todos esses movimentos de esquerda. Esse PT que se dizia contra corrupção, mas só engana, manipula, povo já acordou”, arrematou.

Além de Sargento Novandir, Oseias Varão e Romário Policarpo, os vereadores Eduardo Prado (PV) e Cabo Senna (PRP) também endossaram os elogios à Guarda Civil e defenderam a ação.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.