Após um 2018 de instabilidades, os rumos da economia goiana serão ditados, mais que nunca, pelo comportamento dos governos federal e estadual

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vislumbra um crescimento da economia brasileira em 2019, algo próximo de 3%. A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) igualmente tem uma visão otimista para o Estado, que vem apresentando recuperação econômica ainda discreta, mas que pode tornar-se vigorosa a partir do segundo semestre ou mesmo cair na estagnação. De acordo com um balanço divulgado pela federação, nesta quarta-feira, 9, após um 2018 de instabilidades, os rumos da economia goiana serão ditados, mais que nunca, pelo comportamento dos governos federal e estadual.

Para que a retomada do crescimento econômico em Goiás se faça robusto, a Fieg considera necessário o efeito de medidas, no âmbito federal, a exemplo de ajuste duradouro nas contas públicas, avanço nas reformas estruturantes, como a previdenciária e a tributária, e a adoção de iniciativas para melhorar o ambiente de negócios, entre as quais a desburocratização.

Nos últimos dias, porém, o cenário ficou nebuloso para o Estado à medida em que o presidente Jair Bolsonaro sancionou o Projeto de Lei n° 10160/2018, que prorroga por mais cinco anos os incentivos fiscais para as empresas instaladas nas áreas das Superintendências do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e do Nordeste (Sudene), deixando de fora a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). Isso ocorreu pouco menos de um mês após o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter sinalizado para cortes da ordem de até 50% no repasse de recursos para o Sistema S.

Da mesma forma, ocorre com o governo estadual, que anunciou ter encontrado cofres vazios, situação de “colapso financeiro”, como o governador Ronaldo Caiado vem denunciando e apontado a necessidade de fazer cortes e adotar medidas de arrocho econômico e alteração nos incentivos fiscais nas próximas semanas.

Ainda assim, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), avaliado em novembro pela Fieg/CNI, é o mais alto de 2018 (63,7%). Entretanto, se o País optar por reformas limitadas ou incompletas, a confiança dos empresários e consumidores diminuirá, o que conduzirá o Brasil à estagnação da economia, como ocorreu em 2017 e 2018. O pior, no entanto, é o adiamento ou a opção por não fazer as reformas.

Em 2018, a arrecadação de Goiás ficou estagnada. Diferente do contexto nacional, em Goiás o IPCA (terminou 2018 em 3,67%) diminuiu discretamente em relação a 2017 (3,75%). O setor industrial goiano vem aumentando sua representatividade no PIB nacional – aumentou sua participação de 2,9% para 3,3% do total – e o saldo da geração de emprego foi positivo, aumentando quase 9 mil postos de trabalho, aproximadamente 3 mil a mais em relação a 2017.

Assim como no País, no ano passado, a balança comercial goiana foi desfavorável. As indústrias instaladas no Estado, sobretudo automobilística e farmacêutica, sofreram com a queda de importações – em 2018, caíram 12,1% em relação a 2017 –, o que impactou diretamente na produção, que terminou em queda de 1,4%. Apesar disso, houve crescimento de 0,3% da indústria goiana no ano passado.

Em 2017, a proposta de crescimento para o ano seguinte era bastante otimista. Entretanto, o crescimento não se confirmou na proporção esperada. O adiamento das reformas, sobretudo a da Previdência, a greve que paralisou os transportes no País e o desemprego elevado prejudicaram a recuperação da atividade econômica em 2018. Esses fatos impediram que a inflação baixasse e a queda dos juros tivesse um efeito mais positivo sobre a economia.

O crescimento da economia brasileira em 2018 ficou aquém do estimado no fim de 2017. O PIB do País fechará o ano com crescimento de 1,3%, abaixo dos 2,6% previstos inicialmente. O PIB da indústria também crescerá apenas 1,3%, menos do que os 3% estimados no início do ano. A expansão de 1,3% da economia brasileira está distante do crescimento médio de 3,7% estimado para a economia mundial.

Esse cenário deixa os economistas com um pé atrás no momento de fazer estimativas para 2019. Contudo, a indústria prevê queda na taxa de desemprego, uma inflação em torno de 4,1%, a taxa nominal de juros básicos da economia em 7,50% ao ano no fim de 2019 e a cotação média do dólar em R$ 3,78. A balança comercial deve fechar 2019 com um saldo positivo de US$ 45 bilhões. A dívida pública continuará subindo e deve alcançar 79,5% do PIB. A tendência é de que Goiás siga esse cenário, que se definirá à medida em que os governos federal e estadual desenvolvam suas políticas econômicas.