Avança o processo de registro das Cavalhadas como Patrimônio Cultural do Brasil

O documento segue agora para a etapa de instrução técnica quando será elaborado o dossiê com informações sobre a manifestação

A solicitação que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) recebeu para tornar a tradição folclórica Cavalhada como Patrimônio Cultural do Brasil foi considerada pertinente e segue para a fase de instrução, com o levantamento de documentação e informações sobre o bem cultural, baseadas em uma extensa pesquisa.

As Cavalhadas que movimentam as cidades de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul e de alguns estados nordestinos voltam a acontecer com a suspensão das medidas restritivas da pandemia. A volta da tradição facilitará o processo de análise do Iphan. “Após dois anos de pandemia e com o retorno da manifestação aos cavalhódromos, campos e ginásios, facilitará a pesquisa etnográfica que irá compor o dossiê de registro”, explica a historiadora do Iphan-GO, Renata Galvão.

Quando o Iphan recebe um pedido de registro do patrimônio imaterial, a documentação passa por uma análise da equipe técnica do órgão, que avalia a conformidade dos requisitos necessários. Em seguida, o processo é encaminhado para a análise da Câmara Setorial do Patrimônio Imaterial, que delibera pela pertinência ou não da solicitação, conforme os critérios do Decreto Lei nº 3551/2000. 

Em seguida, um dossiê será elaborado e, então, apreciado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que delibera se o bem pode ser reconhecido nos termos da política federal. Após essa etapa, é concedido o título de Patrimônio Cultural do Brasil. O processo detalhado para obtenção do reconhecimento encontra-se na Resolução 01/2006 do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. 

Realizadas há mais de 200 anos, as Cavalhadas remontam às lutas travadas por Carlos Magno e os Doze Pares de França. Os participantes que encenam o espetáculo se exibem montados a cavalo e muito bem paramentados. As cores predominantes das vestimentas são o vermelho e o dourado para os mouros e o azul e prateado para os cristãos. 

No município de Pirenópolis, as Cavalhadas são parte integrante da Festa do Divino Espírito Santo, registrada como Patrimônio Cultural do Brasil no ano de 2010. Este ano, as cavalhadas no município acontecem nos dias 5 a 7 de junho. O superintendente do Iphan-GO, Allyson Cabral, destaca que “diante da importância e do significado que as cavalhadas possuem, não somente reproduzindo história, mas por serem encenadas em cidades turísticas, as manifestações fazem com que milhares de pessoas visitem os municípios neste período. Esse reconhecimento do Iphan é merecido e muito importante para as cavalhadas”.

Ao todo, onze cavalhadas no estado, presentes nos municípios goianos de Santa Cruz de Goiás, Palmeiras de Goiás, Posse, Jaraguá, Crixás, Hidrolina, São Francisco de Goiás, Santa Terezinha de Goiás, Corumbá de Goiás, Pilar de Goiás e Pirenópolis, estão na rota do pleito do registro a Patrimônio Cultural do Brasil. Esses são alguns municípios com as mais tradicionais festas do calendário no estado. 

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