Construções irregulares às margens do Lago Serra da Mesa estão ficando submersas com o avanço da área alagada. Com as chuvas, o reservatório continua enchendo e atingiu a maior capacidade registrada nos últimos 12 anos: 68,84%, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira, 2, pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Em um vídeo postado nas redes sociais por Nilvia José Toledo, é possível ver uma casa inteira ficando debaixo d’água enquanto outras que estão próximas também estão ameaçadas com o avanço da margem. Ela relata ainda que está perigoso entrar no lago, uma vez que há muitas cercas de arame farpado submersas. Veja só:

O ex-superintendente do Ibama em Goiás, analista ambiental e mestre em Geografia hoje aposentado, Ary Soares dos Santos, projeta que o Serra da Mesa pode atingir de 75% a 80% de sua capacidade até abril. “Tem condomínios inteiros que foram totalmente alagados. Recebi o relato de um militar aposentado de Brasília que viu seu sonho ser engolido pela água. Outro empresário de Goiânia me disse que investiu R$ 1 milhão em uma casa e viu tudo naufragar. Já cheguei a encontrar televisão boiando no lago”, lembrou.

Para Ary, que foi superintendente do Ibama em Goiás entre os anos de 2004 e 2011, desde 2012, a represa vive um processo de regulação que reduz a vazão hídrica do lago no período chuvoso. Isso permite um maior acúmulo de água.

No entanto, apesar das constantes cheias, o lago nunca atingiu sua capacidade máxima. Segundo Wagner Domingues, que foi gerente da Usina Serra da Mesa de 2012 até 2019, isso se deu por uma série de razões. A primeira delas é que a hidrelétrica precisou começar a funcionar antes da hora por causa da crise hídrica que o Brasil viveu no final da década de 90 e início dos anos 2000, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Nessa época, o governo federal precisou inclusive recorrer a uma série de apagões programados para evitar o colapso do sistema elétrico do país.