Áudios mostram que MBL foi financiado por partidos de oposição ao PT

Matéria da UOL revela que o movimento, que se declara apartidário, negociou apoio com o PMDB, SD, DEM e PSDB

Kim Kataguiri (à direita) e outros integrantes do MBL, em entrevista ao Jornal Opção em 2015 | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Kim Kataguiri (à direita) e outros integrantes do MBL, em entrevista ao Jornal Opção em 2015 | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O site da UOL divulgou, na manhã desta sexta-feira (27/5), gravações reveladoras sobre a relação do Movimento Brasil Livre (MBL) e partidos da oposição à presidente afastada Dilma Rousseff (PT).

Intitulados como uma organização não-governamental fundada em 2014 para combater as ideias e práticas da esquerda, o MBL teria recebido dinheiro para custear panfletos, carros de som, lanches e até aluguel de ônibus para manifestações contra Dilma, realizadas durante todo o ano passado e este ano, até a votação do impeachment no Senado.

A matéria mostra que coordenadores do movimento negociaram diretamente com líderes do PMDB, Solidariedade, PSDB e DEM. Nas manifestações e em suas postagens nas redes sociais, o MBL sempre se definiu como apartidário, mas sempre contra o PT.

MBL 3

Inclusive, há uma parte exclusiva no site do MBL chamada “contribua”, que pede doação financeira para que eles continuem com esse papel “condutor e protagonista”.

“Não podemos deixar que a militância de esquerda que sairá às ruas, somada ao impulso fisiológico do ‘centrão’, transformem esse momento único de reconstrução nacional em mais do mesmo: Estado inchado, corrupção, covardia e adesismo. Não!”, versa o texto.

Partidos

Integrantes do MBL se reunem com Eduardo Cunha e líderes da oposição ao PT | Foto: Reprodução/Facebook Eduardo Cunha

Integrantes do MBL se reunem com Eduardo Cunha e líderes da oposição ao PT | Foto: Reprodução/Facebook Eduardo Cunha

Segundo a matéria do UOL, o PMDB teria custeado a impressão de pelo menos 20 mil panfletos do MBL para divulgar as manifestações pró-impeachment do dia 13 de março de 2016. A verba teria sido obtida da Fundação Ulysses Guimarães — que era presidida por Moreira Franco (PMDB-RJ), atual secretário-executivo do Programa de Parcerias e Investimentos do governo interino de Temer.

A Juventude do PMDB, que mediou a negociação, disse que o MBL só ajudou na “logística de distribuição e divulgação por todo o País”, pois a campanha era da JPMDB. No entanto, a reportagem apurou que os panfletos continham, na verdade, um lema do MBL: “Esse impeachment é meu”.

O Solidariedade, do deputado federal Paulinho da Força (SP) — defensor do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e ferrenho crítico do PT — reconheceu, por meio de nota, que apoiou o MBL com “convocação da militância, carros de som e divulgação dos atos a favor do impeachment nas redes do partido”.

Em uma gravação obtida pelo UOL, o secretário de Mobilização da Juventude do PSDB do Rio de Janeiro, Ygor Oliveira, dá detalhes sobre uma “parceria com o MBL” para conseguir alimentação, estadia e traslado para manifestantes que foram ao ato do dia 11 de maio em Brasília (DF). A JPSDB informou que a “parceria” acabou por não se concretizar.

Já a relação financeira com DEM não foi explicitada nos áudios. O coordenador Renan Santos diz que fechou com partidos políticos (entre eles o DEM) para usar “a máquina” deles. “O Democratas se uniu aos movimentos de rua em favor do impeachment. Não houve nenhum tipo de apoio financeiro, apenas uma união de forças com os movimentos de rua, dentre eles o MBL”, disse o partido ao UOL.

Resposta

Manifestação em Goiânia do dia 13 março: reuniu 50 mil pessoas | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

Manifestação em Goiânia do dia 13 março: reuniu 50 mil pessoas | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

Em nota, Renan Santos, coordenador nacional do movimento e filiado ao PSDB entre os anos 2010 e 2015, afirmou que “o MBL não criminaliza a política nem os políticos. A aproximação com as lideranças [políticas] foi fundamental para pavimentar o caminho do impeachment.”

“As manifestações não são do MBL. 13 de Março pertence a todos os brasileiros, e nada mais natural que os partidos de oposição fossem convidados a usar suas redes de divulgação e militância para divulgar a data. Não houve nenhuma ajuda direcionada ao MBL. Pedimos apenas que divulgassem com toda energia possível. Creio que todos o fizeram,” diz a nota do MBL ao UOL.

Ouça os áudios e veja a matéria completa do UOL aqui.

Uma resposta para “Áudios mostram que MBL foi financiado por partidos de oposição ao PT”

  1. Avatar Gustavo Henrique disse:

    não vejo problema, o dinheiro é dos partidos e não publico que ocorre nos casos dos mortadelas http://www.oantagonista.com/posts/secou-a-fonte-de-mortadela

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