O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresenta nesta segunda-feira, 15, o programa “Terra da Gente”, que disponibiliza uma lista de áreas destinadas aos pequenos agricultores e aos sem-terra. Contudo, apesar da iminente divulgação do novo plano de reforma agrária, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou diversas ocupações, dando início ao chamado “Abril Vermelho”.

Uma dessas ocupações ocorreu em uma propriedade da Embrapa, localizada em Pernambuco. É importante destacar que esta mesma propriedade já foi ocupada em duas ocasiões anteriores, o que provocou a primeira crise entre o governo e o MST durante a gestão de Lula da Silva.

A ocupação teve lugar no domingo, 14, na cidade de Petrolina, onde uma propriedade da Codevasf também foi alvo do movimento. Em comunicado, o MST alegou que a área de 1,5 mil hectares é “improdutiva, ociosa e abandonada”, e reivindica sua desapropriação e destinação para assentamento. No entanto, não foi fornecida informação sobre o número de famílias presentes no local.

Goiás

 Na manhã desta segunda-feira, 15, membros do movimento desmontaram um acampamento com 400 famílias na propriedade Sítio Novo, localizada em Itaberaí, Goiás.

O MST anunciou que esse acampamento recebeu o nome de “Dona Lindú”, em honra à mãe do presidente Lula.

Mobilização Nacional

 O MST designou abril como o mês da Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária. O movimento promoveu mobilizações de grande escala, incluindo marchas, manifestações, protestos, atividades de formação, solidariedade e ações contra a concentração de terras no Brasil. O lema adotado foi “Ocupar, para o Brasil Alimentar!”, comemorando os 40 anos de atuação do Movimento.

Durante este mês, estão planejadas atividades em todas as principais regiões do país, nos locais onde o Movimento Sem Terra está mobilizado. Os dias de destaque para as manifestações serão de 15 a 19 de abril.

A Jornada também marca o dia 17 como uma data especial em memória dos membros do movimento que perderam a vida na luta pela terra há 28 anos, no massacre de Eldorado do Carajás, no Pará. Nesse trágico evento, 21 trabalhadores rurais foram mortos pela Polícia Militar a mando de fazendeiros, enquanto protestavam por Reforma Agrária.

As ações ressaltam a relevância da Reforma Agrária como uma medida urgente e essencial para a produção de alimentos saudáveis tanto para a população rural quanto urbana, que, para o MST, é essencial para combater a fome e promover o desenvolvimento do país nos aspectos agrícola, social, econômico e político. Em um cenário em que o orçamento destinado a essa política pública é o menor dos últimos 20 anos por dois anos consecutivos, a situação torna-se ainda mais urgente.

Ainda não há informações sobre quantas propriedades, sejam públicas ou privadas, serão abrangidas pelo programa. No entanto, a intenção já foi expressa por Lula em várias ocasiões. Após a invasão de uma propriedade da Embrapa no ano passado, ele destacou a necessidade de o Incra antecipar-se às ocupações, e afirmou que o MST não deveria mais recorrer a esse tipo de ação.

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