A disputa em torno da filiação do deputado estadual Rubens Marques ao PSB ganhou um novo capítulo às vésperas da convenção eleitoral da legenda. Um requerimento encaminhado à Comissão Executiva Estadual pede que o nome do parlamentar não seja aprovado em bloco junto aos demais candidatos a deputado estadual e seja submetido a uma votação em separado pelos convencionais. 

O documento é assinado pelo ex-secretário de Mobilização do PSB em Goiás, Leandro Dias Barbosa, que sustenta que a filiação de Rubens Marques apresenta irregularidades. No requerimento, ele afirma que o deputado “se filiou a três partidos ao mesmo tempo (Agir, União Brasil e PSB), configurando o quadro de múltiplas filiações, bem como o ingresso intempestivo”. 

Leandro também afirma que a filiação “apresenta circunstâncias suspeitas que já foram apresentadas às autoridades policiais para apurar a existência de eventual fraude”. O documento, entretanto, não informa a existência de investigação concluída ou decisão judicial sobre o caso. 

Procurado pelo Jornal Opção, Rubens Marques afirmou que respeita o direito de qualquer filiado recorrer aos mecanismos internos do partido, mas disse estar tranquilo em relação à legalidade de sua filiação. “Respeito qualquer filiado que acione qualquer dispositivo regimental ou estatutário, por isso permaneço confiante porque sei que a filiação foi plenamente regular. Confio integralmente na executiva estadual do partido, respaldada pela executiva nacional. Estou animado para iniciar a campanha e continuar trabalhando pelos goianos”, declarou.

Segundo o autor do requerimento, a filiação também não teria observado as normas internas do partido. Ele sustenta que, diante da manifestação contrária de filiados, a entrada de Rubens deveria ter sido submetida à deliberação da Comissão Executiva Estadual, o que, segundo afirma, não ocorreu. O ex-dirigente acrescenta que protocolou pedidos de convocação da Executiva nos dias 5 de abril e 8 de maio, mas a instância partidária não teria apreciado o assunto. 

O requerimento ainda afirma que houve quebra de um acordo político firmado durante a construção da chapa proporcional. Conforme o documento, as novas filiações deveriam ser previamente comunicadas e aprovadas pelos integrantes do grupo, mas “a filiação de Rubens Marques foi realizada sem o cumprimento desse pacto”. Ao final, Leandro solicita que os convencionais tenham conhecimento das alegações antes da votação e que a candidatura seja apreciada separadamente. 

Crise começou durante a janela partidária

O requerimento reapresenta questionamentos que já haviam provocado uma crise dentro do PSB durante a janela partidária, em abril deste ano.

Na época, o deputado estadual Karlos Cabral, responsável pela articulação da chapa proporcional da legenda, criticou publicamente a entrada de Rubens Marques no partido. Em discurso na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), afirmou que o colega havia ingressado no PSB sem diálogo com as lideranças e chegou a dizer que faria da permanência do parlamentar na legenda “um martírio”.

Cabral também defendia que a filiação havia ocorrido fora da janela partidária e anunciava que buscaria a anulação do ato na Justiça. Segundo o deputado, a chegada de Rubens alterava o equilíbrio da chapa e poderia comprometer as chances de reeleição de outros candidatos da sigla.

Na ocasião, Rubens Marques afirmou ao Jornal Opção que não responderia às críticas de Karlos Cabral e disse acreditar que o colega “estava de cabeça quente”. O deputado também declarou que ingressou no PSB a convite da então presidente estadual da legenda, Aava Santiago, e afirmou que, caso sua filiação fosse contestada, a discussão ocorreria no âmbito judicial.

Leia também: Ida de Rubens Marques para o PSB escancara crise interna; Karlos Cabral diz que vai tornar filiação do parlamentar “um martírio”