Argentinos apostam em Messi mas admitem que é difícil ganhar da Alemanha

Euler de França Belém

Camisa 10 da seleção, Messi é a aposta dos argentinos

Camisa 10 da seleção, Messi é a aposta dos argentinos | Foto: Reprodução/AFA

Buenos Aires – Os brasileiros estão irritados com o quarto lugar obtido pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Pudera. Perder de 7 a 1 para Alemanha e de 3 a 0 para a Holanda – e jogando muito mal, apenas com Oscar, aqui e ali, criando algumas jogadas de craque, mas solitariamente; contra a Holanda, até os zagueiros David Luiz (cabeceou mal e entregou a bola para um holandês fazer o segundo gol) e Thiago Silva (fez o pênalti que desestabilizou de vez o time) jogaram muito mal. O ataque não fez gols (um só no vexame contra a Alemanha) e o meio-campo parava as jogadas, devolvendo a bola aos zagueiros, que devolviam a bola ao goleiro ou davam chutões. Mas os argentinos, até porque foram classificados, têm outra interpretação. Primeiro, admiram Neymar, que comparam a Messi. Depois, sugerem que, num campeonato com 32 seleções, um quarto lugar não é tão ruim assim. Ouvi isto de seis argentinos e observei bem para verificar se estavam sendo irônicos. Não estavam. Quase todos disseram que a seleção jogou bem nos primeiros jogos e que seu futebol é “vistoso” mas que, ao perder Neymar, ficou relativamente sem rumo. “Seria como perder Messi”, comparam.

Vi o primeiro tempo do jogo contra a Holanda num hotel e o segundo no La Biela, na Recoleta. Os argentinos torciam claramente para o Brasil, pois dizem apreciar o futebol de alguns jogadores, como Neymar, Oscar, Thiago Silva e David Luiz.

Para o jogo deste domingo, brasileiros que assistem os telejornais podem acreditar que a Argentina, autossuficiente, acredita que já ganhou (não é difícil arranjar torcedores convictos e muito alegres para fazer imagens para a televisão. As chuvas retiraram os argentinos das ruas; voltarão, mesmo com chuva, se seu time for campeão). Não é bem assim. Nas ruas de Buenos Aires, em cafés, restaurantes e livrarias – na área esportiva, o destaque é Messi –, há mais esperança do que otimismo exacerbado. A maioria admite que, em termos de conjunto, a seleção da Alemanha é mais competitiva e sugere que a seleção da Argentina pode ganhar na raça e, eventualmente, devido às jogadas de gênio de Messi. “Queremos ganhar, e vamos torcer muito, mas sabemos que a Alemanha é o páreo mais duro, porque, além de ter bons jogadores, como Müller, o time está bem entrosado”, diz um taxista de mais de 60 anos, que está muito mais interessado em contribuir para retirar a presidente Cristina Kirchner do poder. “A Argentina não merece uma presidente como Cristina. O problema é que, até o momento, não temos alternativas.” Os argentinos reclamam do “custo de vida” e da falta de norte do governo.

As esperanças dos jornais estão no cérebro e nos pés de Messi. Acreditam que, se o maestro ou mestre estiver inspirado, a seleção do país de Jorge Luis Borges, Oliverio Girondo, Ricardo Piglia e Carlos Gardel (por sinal, nascido na França, mas tão argentino quanto o “belga” Julio Cortázar) tem alguma chance de derrotar a Alemanha de Goethe e Thomas Mann. Os argentinos são como os brasileiros: adoram futebol. Mas em geral são racionalistas. Por isso dizem que, se os alemães anularem Messi, a Argentina se tornará um time de menor importância. Frisam que o segredo será fechar o meio-campo e a defesa e jogar no contra-ataque.

Os argentinos querem ganhar, avaliam que podem ganhar, mas sugerem que será muito difícil vencer os alemães.

 

 

 

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