Após seis meses, caso Uberth Cordeiro ainda esbarra em formalidades do Judiciário

Advogado foi baleado em janeiro deste ano e, até hoje, nenhum dos suspeitos foi preso. PC aguarda autorização de quebra de sigilo telefônico

Advogado Uberth Cordeiro | Foto: reprodução

Advogado Uberth Cordeiro | Foto: reprodução

Há seis meses, o advogado Uberth Domingos Cordeiro levou três tiros no braço dentro de seu próprio escritório em Goiânia. Até hoje, pouco se concretizou no que diz respeito à punição dos envolvidos. Embora as investigações da Polícia Civil tenham avançado bastante, o maior entrave atual se encontra no Poder Judiciário.

Uma das certezas do caso é que a ordem para o crime partiu de dentro do sistema prisional, mais especificamente do Complexo Prisional Odenir Guimarães — onde um cliente do escritório que Uberth comanda foi assassinado. “Os suspeitos foram identificados e há um mandado de prisão expedido. Não há evidências suficientes para indiciar os mandantes, mas já sabemos quem foi”, conta o advogado.

De acordo com Uberth, para que novas provas sejam coletadas, é preciso que seja autorizada a quebra de sigilo telefônico do suspeito que teve sua prisão decretada. Este teria ligações com presos da penitenciária (de onde partiu a ordem para matar Uberth). Os pedidos foram feitos, só que o juiz não estaria vendo fundamentação suficiente para tanto.

“Como temos uma Constituição garantista, que privilegia as garantias individuais, os presos têm uma série de direitos. Para que haja autorização judicial para se quebrar o sigilo telefônico seriam necessários dois requisitos: a fumaça de que o telefone estaria sendo usado para práticas criminosas, bem como a pessoa em questão esteja envolvida em algum crime; e/ou que haja perigo na demora: se aquele celular não for interceptado pessoas podem vir a óbito ou danos ao patrimônio podem ser causados”, explica ele.

O advogado criminalista conta que fechou o escritório, localizado no Setor Aeroporto, e segue trabalhando pelo Estado sem endereço fixo: “É uma forma de me proteger até que o caso seja solucionado”. A poucos dias de se tornar pai, Uberth lamenta a insegurança em Goiás. “Violência está inconcebível, não há respeito à nada e a ninguém. Segurança pública está calamitosa no Estado”, completa.

Para o futuro, ele diz esperar, não só como profissional da advocacia mas como cidadão, que haja uma resposta eficiente do sistema. “O que aconteceu comigo não pode acontecer com outras pessoas”, arremata.

Entenda o caso

O advogado Uberth Domingos Cordeiro foi baleado por dois suspeitos no dia 19 de janeiro. No escritório, localizado no Setor Aeroporto, a dupla procurava pelo advogado, quando, ao serem recebidos por ele, atacaram. Após luta corporal, foram disparados sete tiros, sendo que três deles atingiram Uberth no braço. Os criminosos fugiram e o advogado foi levado a um hospital da capital.

Uberth recebia ameaças desde o final do ano passado, depois que um cliente do escritório que comanda foi assassinado no Complexo Prisional Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia.

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