Após queda de 61,4% em cirurgias eletivas, SUS deve permanecer um ano com demandas acirradas

Atendimentos oncológicos, cardiovasculares e psiquiátricos estão entre mais preocupantes, em razão da imprevisibilidade de evolução dos quadros e demanda de acompanhamento recorrente e rigoroso

Foto: Reprodução

Conforme comparação dos dados do Ministério da Saúde, nos quatro primeiros meses da pandemia do novo coronavírus no Brasil, entre março e junho, houve queda de 388 mil (equivalente a 61,4%) nas cirurgias eletivas (não urgentes) no Sistema Único de Saúde (SUS). Com o início da flexibilização do isolamento social na maior parte do país e a retomada das operações, profissionais de saúde preveem “explosão de demandas”.

De acordo com especialistas ouvidos pelo Estadão, o problema é que muitos dos pacientes com cirurgias adiadas em razão da pandemia agora sofrem com a demora para remarcar o atendimento na rede pública, enquanto seus quadros se agravam.

“A segunda onda provavelmente não será causada pela Covid-19, mas pela quantidade enorme de pacientes que retornarão para serem tratados por outras doenças em situação muito pior do que se encontravam antes da pandemia”, disse Gustavo Judas, presidente da Sociedade de Cirurgia Cardiovascular do Estado de São Paulo. Ao Estadão, Judas afirmou que o cancelamento de mais da metade dos procedimentos cardíacos pode gerar uma superlotação de até um ano nos hospitais.

As especialidades que mais causam preocupação são as oncológicas, cardiovasculares e psiquiátricas, em razão da imprevisibilidade de evolução dos quadros, bem como a demanda de acompanhamento recorrente e rigoroso. “Mesmo sendo eletivas, algumas cirurgias não podem esperar eternamente. A situação já era difícil antes da pandemia. Essa questão ficou ainda mais clara”, afirmou Walter Cintra, professor de Gestão de Saúde da FGV e médico sanitarista. 

Adiamento

Para poupar leitos e evitar infecções pela Covid-19, o Ministério da Saúde orientou, em março, para que os estados adiassem cirurgias eletivas. A recomendação ainda foi reforçada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio de nota apoiada por 11 entidades nacionais.

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