Após morte de pediatra com suspeita de H1N1, servidores de Cais temem contaminação

Médico da unidade morreu no último fim de semana com suspeita de  contágio pelo vírus. Servidores relatam falta de máscaras e insumos na unidade de Campinas

Foto: Reprodução / Google

Funcionários que trabalham no Cais Campinas, em Goiânia, relatam medo de retornar às atividades normais na unidade 24 horas após morte do pediatra Luiz Sérgio de Aquino Moura, de 57 anos, que morreu no último domingo (1º/4) com suspeita de H1N1.

Servidores relatam falta de equipamentos de proteção, como luvas e máscaras, bem como remédios e materiais básicos para tratamento dos pacientes: seringas, ataduras e fios de sutura. “O que mais falta lá é máscara. Não tem nem para cuidar dos pacientes tuberculosos”, diz uma profissional da saúde. “E luvas, normalmente tem só  tem do tamanho G. As menores, tamanho P ou M, que serve na maioria dos atendentes, sempre falta”, contou um servidor ao Jornal Opção.

Outro funcionário denunciou que as máscaras fornecidas pela Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) são do tipo “comum”, que não oferecem a proteção adequada. “As máscaras são poucas e não são as mais adequadas. Nós precisávamos da Bico de Pato N45, mas eles só mandam a comum. Todo mundo que chega faz a ficha, tem o sangue recolhido. Não temos como saber se ele tem o vírus ou não. Apenas depois que existe a suspeita o paciente é isolado, mas, até lá, ele fica na recepção, nos corredores. Os funcionários ficam muito expostos”, disse.

“Vejo o paciente chegar tossindo, passar pela triagem, ficar esperando pelo médico e depois ir ao laboratório sem máscara, e por esse tempo antes de chegar ao laboratório imagina o contato que ele teve com outros servidores! O técnico que está colhendo sangue é imune a isso? Quem fez a ficha também é imune? E quem fez a medicação? E as meninas da limpeza?”, questionou um outro servidor.

Luiz Sérgio atendia no Cais Campinas, um dos mais importantes centros de saúde da capital, com grande fluxo de pacientes com suspeitas do vírus. No último plantão na unidade, na quarta-feira (28/3), o médico não demonstrou aos colegas de trabalho nenhum sintoma. Na noite de sexta-feira (30/3), porém, ele foi internado no Hospital Estadual de Urgências da Região Noroeste de Goiânia Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), já em estado grave.

Ele permaneceu no hospital, respirando com ajuda de aparelhos até o domingo (1º), quando não resistiu e morreu. Testes ainda estão sendo feitos para confirmar ou não a suspeita de H1N1.

Em comunicado no último domingo (1º), a SMS disse lamentar profundamente o falecimento e informa estar em andamento a investigação epidemiológica para saber as causas da morte. “Os materiais biológicos do Dr. Luiz Sérgio de Aquino Moura foram coletados e encaminhados para análise laboratorial”, diz a SMS, sem citar a suspeita de H1N1.

Questionada sobre as condições de trabalho na unidade de Campinas e as denúncias de falta de equipamentos e insumos para funcionários e pacientes, a pasta não se pronunciou.

Último boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO), na semana passada, confirma 32 ocorrências de pessoas infectados pelo vírus H1N1 em Goiás em 2018. Dos casos confirmados, 10 são em Goiânia e mais de 70 ainda estão em análise. Dois pacientes de Trindade morreram.

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ziro

CAUSA MORTIS, OMISSÃO DO PODER PÚBLICO. A princípio são apenas suspeitas, que precisam ser apuradas, mas pelos fatos diariamente denunciadas na mídia, parece que a morte do profissional, de um brasileiro trabalhador, honesto, responsável, que dedicou uma vida aos estudos da medicina, que se comprometeu com seu povo, foi em decorrência da falta de equipamentos básicos na rede pública de saúde, e se isto realmente foi a causa, alguém da administração deve responder pelo crime culposo e pelos danos decorridos, inclusive o poder Judiciário de Goiás que não atendeu recentemente pedido liminar proposto pelos vereadores da Câmara Municipal que já… Leia mais