Após fugir do Brasil logo depois da derrota nas urnas, o senador Flávio Bolsonaro (PL) reapareceu nas redes sociais nesta sexta-feira, 30, para defender sua decisão de ir embora para os EUA e questionar, novamente e sem provas, o resultado da eleição presidencial.

Sem apresentar indícios de irregularidades na votação, o parlamentar também indicou que pretende disputar um novo pleito antes de 2030.

Na transmissão de cerca de 20 minutos pelo Instagram, que vem após a divulgação de uma carta de teor golpista que provocou a debandada de lideranças da direita, Flávio afirmou que sua saída do país não deve ser interpretada como demonstração de fraqueza. Vale dizer que foi a primeira vez que ele se dirigiu publicamente aos apoiadores desde terça-feira, 27, quando deixou o território brasileiro.

O filho “01” de Bolsonaro atribuiu a decisão de fugir a uma conversa particular com a esposa, Fernanda, e evitou associar integrantes de seu grupo político à organização da saída.

“A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse, até porque se soubesse a chance de dar errado seria maior, então de verdade, não escolham, não apontem o dedo para ninguém, não tem ninguém que é responsável pelo que aconteceu, com relação a minha saída.”, disse.

Contrariando a orientação de seus próprios advogados, que desde a derrota recomendaram não sustentar alegações de fraude, Flávio insistiu em deslegitimar a apuração conduzida pela Justiça Eleitoral. O senador afirmou não reconhecer o resultado oficializado pelo TSE e alegou que os números da votação seriam “matematicamente impossíveis”, embora não tenha apresentado qualquer prova disso.

Vale destacar que, mesmo com a resistência de Flávio em reconhecer o resultado das urnas, aliados, lideranças da direita e até seu próprio partido, o PL, já se manifestaram em reconhecimento à vitória de Lula da Silva.

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O parlamentar também usou os cerca de 60 milhões de votos que recebeu para justificar a continuidade de seu projeto político. Segundo ele, o apoio nas urnas reforça sua disposição de enfrentar novos embates e voltar à disputa pelo Palácio do Planalto, sem necessariamente esperar pelas eleições de 2030.

“Isso [os 60 milhões de votos] me dá muita força, muita consciência, ainda mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar, se preciso for, para resgatar, para salvar o nosso país, para disputar mais uma eleição para presidente da República. Eu não estou falando de 2030, não, eu estou falando de antes disso”, afirmou.

A possibilidade de uma nova eleição foi levantada em meio à ofensiva jurídica anunciada pelo senador contra Lula da Silva, que foi reeleito com mais de 64 milhões de votos. No início da semana, Flávio informou que acionaria a Justiça Eleitoral para questionar a vitória do petista por suposto abuso de poder político e econômico.