Após empresa dos EUA comprar Serra Verde, presidente diz que trabalho na mina em Goiás ainda terá liderança local
21 abril 2026 às 16h09

COMPARTILHAR
Quase que imediatamente após o anúncio de que a mineradora Serra Verde, no município goiano de Minaçu – única produtora em escala fora da Ásia dos quatro elementos das chamadas terras raras -, foi vendida para a norte-americana USA Rare Earth (USAR) pela “bagatela” de 2,8 bilhões de dólares (o equivalente a quase 14 bilhões de reais), preocupações quanto ao tamanho do poder que os Estados Unidos terá sobre as terras raras brasileiras passaram a vir à tona.
Para o presidente da Serra Verde, Ricardo Grossi, no entanto, a liderança dos trabalhos continuará com caráter local, e as mudanças devem garantir “receitas mais previsíveis” e abertura de vias para investimentos mais seguros.
“Passamos a ter maior visibilidade de receitas e condições mais seguras para investir, preservando a participação em qualquer valorização acima desses níveis”, disse, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.
Grossi garantiu que a equipe brasileira que atua na operação na mina em Goiás permanecerá na ativa, e o trabalho vai continuar a ser liderado regionalmente, com foco no chamado “ramp-up”, o aumento gradual de produção.
“À medida que a empresa evoluir, incluindo com uma potencial expansão futura, as possibilidades de atender diferentes mercados e clientes também irão, naturalmente, se ampliar”, declarou o presidente à Folha.
Leia também: Venda bilionária da Serra Verde rompe lógica internacional e reposiciona Goiás entre EUA e China
Vale destacar que, em comunicado direcionado a investidores, a USAR estimou a produção da nova empresa até o fim de 2027 em cerca de 6,4 mil toneladas métricas de óxidos de terras-raras (TREO), em inglês) por ano. Até o ano de 2030, a expectativa, segundo o comunicado, é que o negócio registre cerca de US$ 1,8 bilhão de Ebitda (lucro antes de juros, imposto, depreciação e amortização).
O contrato do negócio prevê o fornecimento de 15 anos para abastecer uma Empresa de Propósito Específico (“SPV”), capitalizada por diversas agências do governo dos EUA, assim como por fontes de capital privado, para 100% de sua produção da Fase I com preços mínimos garantidos para as terras raras magnéticas.
“O Acordo de Fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e apoiando seu desenvolvimento com sucesso”, afirma a nota.
A negociação, no entanto, não parece ter agradado a todos. Economista e deputado federal pelo PT, Carlos Zaratinni chamou a venda da mineradora de “crime de lesa-pátria” e afirmou que, em “plena disputa global por minerais críticos, o Brasil segue cedendo ativos estratégicos ligados à transição energética e à indústria de alta tecnologia”.

