Após decretar jejum contra dengue, prefeito pode fazer o mesmo para resolver crise

Prefeitura de Goiandira causou polêmica após baixar decreto que instituiu na cidade o Dia de Jejum Municipal

Prefeito Erick Marcus (PTB) | Foto: Reprodução do Facebook/ Prefeitura de Goiandira

Prefeito Erick Marcus (PTB) | Foto: Reprodução do Facebook/ Prefeitura de Goiandira

O município goiano de Goiandira, a 262 km de Goiânia, adotou uma medida inusitada, e ao que tudo indica inédita, no combate ao Aedes aegypti. Um decreto assinado pelo prefeito Erick Marcus dos Reis e Cruz (PTB) instituiu o último dia 22 de fevereiro, segunda-feira, como o “Dia de Jejum Municipal” com o intuito de “clamar a Deus” contra a infestação de dengue na cidade.

O documento, assinado no dia 9 de fevereiro, delimitou a ação para o período matutino, convocando todos os líderes religiosos da comunidade para que fosse sugerido aos fieis que participassem do jejum.

Em entrevista ao Jornal Opção, o prefeito Erick defendeu a ação, baseada em passagens bíblicas, e disse que pretende empenhar outros jejuns na cidade para clamar a Deus em favor da resolução de outros problemas, como a crise financeira do País.

“Pode haver outros jejuns. Estamos enfrentando epidemias que nem a ciência pode explicar. Quem dera se todas as lideranças políticas do País parassem para falar com Deus. Estamos enfrentando uma crise sem precedentes e muito complicada, e se faz muito importante esse momento de reflexão”, explicou.

Sobre o “Dia de Jejum Municipal” contra a dengue, Erick fez questão de pontuar que, em nenhum momento, obrigou a população a participar do ato, e frisou que o município faz uso dos métodos definidos pelo Ministério da Saúde para combater o mosquito transmissor.”Temos um trabalho árduo na cidade e com leis duras”, acrescentou.

Uma resposta para “Após decretar jejum contra dengue, prefeito pode fazer o mesmo para resolver crise”

  1. Avatar Epaminondas disse:

    Deus é um sujeito muito, muito vaidoso.

    Afinal, “Ele” fica lá, sentado no “Seu” trono no céu, deixando uma epidemia que provavelmente está ligada a casos de microcefalia, privando bebês inocentes de terem uma vida com todo seu potencial, esperando que alguém aqui na terra se ajoelhe e jejue para que “Ele” finalmente, tome alguma providência.

    Pelo menos, é esta a imagem que eu tenho do deus de um prefeito que promulga uma nulidade de decreto desse. Alguém que tem o poder mas não impede o mal, é o quê? Se o prefeito torce para um deus tão indigno assim, seria o caso das pessoas reagirem mais criticamente ao dogma.

    Os ateus dirão que o prefeito não respeita a laicicidade do estado. Não, o buraco obscuro é ainda mais fundo. Isto é falta de conhecimento básico em ciências. Um mal muito comum na nossa classe executiva, legislativa e judiciária. Eles acham que acabar com o proliferadouro de um vetor de doenças e jejuar, são atos que tem a mesma importância.

    Isto revela um severo lapso do que é ciência. O próprio prefeito atesta esta ignorância, dizendo que a ciência não explica. O sujeito chafurda numa poço tão espesso de ignorância que se tira do campo da ciência explicar a epidemia, aonde esta causa residiria? Na sobrenaturalidade, então. Seria Deus a causa da epidemia de Zika?

    Extrapolando o raciocínio absurdo do prefeito, porque você iria apelar então para quem causou, deste o início, a epidemia????

    Este é o problema da religião: Você demole a sua lógica sem esforço. Mas ainda assim, ela permeia todo tipo de gente, administradores públicos incluso. Apenas por causa de alguém ter tido a ideia que religião define o caráter (e não suas ações). Um ateu justo seria mais malquisto do que um religioso aproveitador.

    Voltando ao prefeito, ele acha que os problemas do Brasil são outros políticos como ele que não falam tanto com Deus. Se o problema é justamente gente colocando a solução dos problemas no campo do sobrenatural, o prefeito quer então que mais gente faça isto???

    Mas não vamos ser tão mentes fechadas assim. Se é pra salvar a população de uma epidemia, não seria válido que Deus comandasse nossas ações na Terra? E se toda crise que passamos, seria amortecida com mais religião?

    Teve uma época passada aonde a influência religiosa permeava cada ato dos cidadãos. A igreja cristã era o centro político, social e econômico das metrópoles ocidentais. Sabem como se chamou este período?

    Idade das Trevas.

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