Após 14 anos, jovem que foi torturada, chegou a ter língua cortada e dedos esmagados por agressora, diz que já a perdoou

Em 2008, Lucélia Rodrigues da Silva, com apenas 12 anos, foi encontrada amordaçada, acorrentada, com a língua cortada e as pontas dos dedos machucadas

Em 2008, Lucélia Rodrigues da Silva, foi encontrada pela polícia amordaçada e acorrentada na área de serviço do apartamento que vivia com a ex-empresária Sílvia Calabresi Lima, em um bairro nobre de Goiânia, quando tinha apenas 12 anos. Lucélia chegou a ter a língua cortada com alicate e a ponta dos dedos esmagadas. Hoje, missionária, a mulher diz que conseguiu perdoar a agressora “há muito tempo”.

Há 14 anos, um vizinho denunciou Calabresi para a polícia. Lucélia foi morar com Sílvia, com autorização da mãe, para estudar e ter uma condição de vida melhor. Durante os primeiros seis meses, Lucélia diz que a vida era ótima, mas com o passar do tempo, as agressões foram frequentes. Além de cumprir todas as tarefas domésticas na casa, a criança era torturada.

“Os seis primeiros meses foram uma benção. Ela cuidou de mim como uma filha, uma princesa. Fez tudo por mim. Mas aos poucos, com o tempo, ela começou a me agredir.  No início, me batia com cinto e, depois, cada dia era pior. Foram dias terríveis e as torturas só pioraram. Cheguei a pedir que ela me matasse”, disse a missionária à equipe do Cidade Alerta/GO.

Depois das investigações, Sílvia foi condenada a quase 15 anos de prisão, mas em 2014 foi beneficiada com a progressão de pena e foi transferida para o regime semiaberto. Lucélia, assim como Sílvia, mora em Goiânia e a missionária diz que, apesar de até hoje carregar marcas físicas, tem vontade de encontrar a agressora. “Eu tenho muita vontade de vê-la, creio que Deus está preparando esse momento. O que sinto por ela é um amor de Deus. Quero mostrar pra ela a transformação que Ele fez em mim e que pode mudar a história dela também. Tenho vontade de dizer que eu a perdoei. Já a perdoei há muito tempo”, afirmou.

Além de Sílvia, a funcionária que trabalhava na casa foi condenada a sete anos de prisão. O marido de Sílvia recebeu 1 ano e 8 meses por omissão. Na época, a mãe biológica de Lucélia, Joana d’Arc da Silva, também foi indiciada e chegou a ir a júri popular sob acusação de ter recebido dinheiro por entregar a filha, mas foi absolvida.

Em 2008, Sílvia e o marido foram condenados a pagar uma indenização de R$ 380 mil por danos morais e estéticos, além de verbas trabalhistas para Lucélia. Após as agressões, Lucélia foi para um abrigo, onde foi adotada por um casal de pastores.

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