Aplicativos de táxi dominam mercado e preocupam cooperativas em Goiânia

Apps oferecem vantagens e facilitam contato com o cliente, sem as altas taxas das empresas. O resultado? Cada vez mais profissionais rodando por conta própria

Central de atendimento do Easy Taxi fica na Avenida 85, em Goiânia | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Central de atendimento do Easy Taxi , na Avenida 85, em Goiânia | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Quando uma pessoa compra um smartphone, existem alguns aplicativos que parecem ser essenciais de serem adquiridos, como os que facilitam a vida dos usuários de táxi. Apesar de já não serem exatamente novidade, parecem estar se tornando cada vez mais comuns para os usuários goianienses. Especialmente pelos adesivos vistos nos carros cadastrados que circulam pelas ruas de Goiânia.

Considerado como o aplicativo do ramo mais utilizado na capital pelos taxistas consultados pela reportagem, o Easy Taxi chegou ao mercado goianiense no início de 2013. Hoje, conta com aproximadamente 60% dos profissionais cadastrados. Em entrevista ao Jornal Opção Online, Léo Tang, jovem diretor executivo da marca no Brasil explicou que a ideia para criar o recurso surgiu há quatro anos, quando os fundadores saíam de um evento no Rio de Janeiro e não conseguiam achar um táxi.

Eles perceberam que aquele momento, rotineiro, poderia ser uma oportunidade. A princípio haviam pensado em um aplicativo que divulgasse horários do transporte coletivo. A partir daí nasceu o Easy Taxi, que se espalhou pelo mundo, alcançando mais de 400 cidades.

Tang destaca que um dos motivos do sucesso é a rapidez de atendimento. “O tempo médio de espera é de cinco minutos”, afirma o diretor executivo. Outro ponto positivo é a gratuidade do serviço. Os profissionais cadastrados não precisam pagar taxa para usar os recursos dos aplicativos.

Os custos do motorista são a compra de um smartphone com bom pacote de dados de internet, um carregador de bateria portátil — não há bateria que aguente o dia todo sem recarga — e o aluguel ou compra de máquina para cartão de débito ou crédito. Além, é claro, do gasto com anual com a licença concedida pela prefeitura para circular na capital.

Vertentes

Léo Tang, do Easy Taxi: estimativa é de que 60% dos taxistas de Goiânia usem o app |Foto: divulgação

Léo Tang, do Easy Taxi: estimativa é de que 60% dos taxistas de Goiânia usem o app |Foto: divulgação

O taxista Rodrigo Pereira pegou sua permissão há oito meses e nunca se filiou a nenhuma empresa de táxi. “Nunca trabalhei com cooperativa por causa do custo. É bom, mas tem o custo alto”. O profissional trabalha em ponto fixo e com quatro aplicativos: Easy Taxi, 99Taxis, WayTaxi e Wapa.

O motorista estima que a maioria dos colegas de profissão que trabalham em companhias também usam os aplicativos. “Acho que, se não 100%, 99% usam. A gente ouve direto histórias de taxistas que foram mandados embora. É concorrente direto, né?”, questiona.

Janes Dean de Lima Libuino, da Anhanguera Rádio Táxi, também usa aplicativos e contradiz o colega, dizendo que não conhece casos de motoristas demitidos, mas muitos que saíram por conta própria. “De seis meses para cá, já devem ter saído uns 200 táxis de cooperativas para ficar só com os aplicativos”, arrisca. E explica: “É aquele pessoal que tem o carro quitado, não tem dívida e está mais estabilizado.”

Competitividade

O diretor executivo Léo Tang enfatiza que um dos motivos que levou ao desenvolvimento do aplicativo foi a melhora na qualidade de vida dos taxistas. “Ainda não existe um estudo detalhado, o que temos é contato com taxistas que afirmam ganhar mais dinheiro trabalhando menos horas”, diz. Ele assegura, porém, que não havia intenção de tirar os profissionais das empresas. “O Easy Taxi sempre procura fazer o que é melhor para os taxistas e para a mobilidade urbana.”

Já Janes Dean percebeu aumento no número de corridas que atende no dia. “Eu não falo que vão parar de existir [as cooperativas] porque tem aquelas pessoas mais conservadoras que vão continuar usando rádio táxi. Mas os mais jovens, que têm mais facilidade com tecnologia, vão pelos aplicativos”, diz.

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Taxistas da capital usam adesivos para facilitar identificação | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O taxista considera ainda que o boom dos aplicativos ajuda as empresas. “Eles não precisam ficar correndo atrás de cliente e o que eles têm para receber é a mensalidade. [De qualquer forma] Ao fim do mês a gente faz o acerto, pegando clientes deles ou pelo aplicativo ”, explica.

No entanto, Marney Francisco Mendes, diretor da Anhanguera Rádio Táxi aponta lado negativo dessa nova realidade: o fim do “inchaço” de chamadas – aquelas que as empresas não tinham capacidade de atender. “Acabamos atendendo dentro do nosso limite, mas antes tinha opção de aumentar a frota, colocar mais carros, agora não tem mais”, lamenta.

Apesar dessa consideração, a Anhanguera é uma das poucas companhias a permitir que funcionários usem aplicativos. “De início tentamos entender como ia funcionar, mas não tem como fiscalizar. Então, fizemos uma reunião e chegamos ao consenso de liberar”, diz Marney. O diretor afirma, porém, que a escolha não tem levado à dispensa de trabalhadores. “Uns três saíram, mas retornaram. Só com o aplicativo não dá para ter uma renda diária, o bom mesmo seria a soma dos dois”, defende.

João Paulo Borba é diretor da Coopertáxi, que orienta funcionários a não usarem aplicativos. “Não dá tempo de atender o aplicativo e os clientes da empresa”, pontua. Quando questionado sobre os funcionários que insistem na prática, o empresário diz: “Se não quiserem fazer parte da empresa, podem rescindir [o contrato]”.

O diretor garante que são os motoristas que optam pelo uso. “Teve até um que saiu [da empresa] para experimentar, mas voltou”, exemplifica. Segundo ele, os aplicativos não passariam a mesma segurança que as empresas passam aos clientes.

Léo Tang garante que existe checagem rigorosa dos taxistas que se cadastram no Easy Taxi. De acordo com ele, o motorista pode baixar o aplicativo e pedir para se cadastrar, mas a empresa só vai liberar após conferir documentação informada no cadastro e treinamento do profissional.

Adaptação

Taxistas em um ponto da capita: empresas vão ter que se reinventar para manter cooperados | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Taxistas em um ponto da capita: empresas vão ter que se reinventar para manter cooperados | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

As empresas goianas também têm se aventurado pelo mundo da tecnologia. Tanto a Coopertaxi quanto a Anhanguera têm aplicativos próprios. “A vantagem é que a pessoa baixa, se cadastra e a atendente liga para confirmar os dados. Se a pessoa voltar a usar, é só colocar o nome e o resto o aplicativo já completa, porque vai estar no nosso banco de dados”, diz João Paulo.

Marney afirma, porém, que a maioria dos pedidos ainda é feita por ligação. “Não tem a mesma frequência, no máximo 15% a 20% são feitos por aplicativo”, diz.

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