Anulado pela Justiça federal, concurso da UFG também não classificou candidatos cotistas

Na divulgação do resultado, instituição afirma que nenhum dos aprovados se autodeclarou negro, o que é desmentido por candidatos

Foto: Divulgação

Anulado a pedido do Ministério Público Federal (MPF) por denúncia de vínculo de amizade entre a candidata aprovada em primeiro lugar e uma componente da banca examinadora, o concurso público para provimento de uma vaga de professor no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE), da Universidade Federal de Goiás (UFG), é alvo, agora, de mais uma denúncia envolvendo cotas raciais.

O Jornal Opção apurou que o processo seletivo deixou de classificar candidato autodeclarado negro, apesar de prever as vagas reservadas a cotistas raciais, conforme estabelece a Lei federal nº 12.990.

A proclamação do resultado do concurso informa que não houve candidato que se autodeclarou negro (preto e pardo) dentre os aprovados, o que é questionado por participantes do processo seletivo.

A candidata Cecília Maria Vieira, que se autodeclarou negra na inscrição, questionou à reportagem os critérios para as notas dadas para os cotistas na avaliação. “Têm candidatos negros que tiveram pontuação maior que as primeiras colocadas na prova de títulos, mas receberam nota muito menor na prova de memorial, isso não tem lógica”, protesta.

A prova de títulos é aquela que mede o currículo acadêmico do candidato e a prova de memorial mede a apresentação do currículo dos candidatos. Segundo a lista de aprovados obtidas pela reportagem, o candidato em 11º lugar se autodeclarou negro, mas não foi aprovado. Sua nota na prova de títulos, no entanto, foi oito vezes maior que a nota da terceira colocada, a qual apresentou prova de apresentação do currículo quase três pontos maior que a dele.

O candidato entrou com recurso, alegando que “as Normas Complementares do concurso não trazem diretrizes objetivas e claras, já que tratam apenas dos pesos e do período a ser considerado para pontuação”. O recurso foi negado.

Jornal Opção entrou em contato com a UFG, mas não obteve resposta até o fechamento desta publicação.

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