Animais são envenenados e esfaqueados em abrigo de Goiânia

Dema investiga o crime. Artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais prevê pena para quem pratica maus tratos a animais domésticos e selvagens, com pena aumentada caso o animal morra

Foto: Reprodução/Google

Em Goiânia, o abrigo Lar dos Animais tem sido alvo de ataques de um homem que supostamente teria envenenado e esfaqueado cerca de cinco cães do local desde o último dia 10 de julho. Atualmente, 330 animais resgatados vivem no abrigo.

De acordo com relatos da dona do abrigo, Mônica Aquino, apesar das diversas advertências dadas aos vizinhos, moradores da região costumam levar lixos até a chácara em que os animais são acolhidos para que sejam incinerados. Em julho, um vizinho que estaria embriagado teria reagido agressivamente ao pedido de Mônica para que não ateasse fogo em lixo dentro da propriedade, que é privada. Ele teria ameaçado a protetora e os animais que vivem lá.

Desde então, cães foram encontrados envenenados dentro do abrigo. “Chegamos a suspeitar de parvovirose, porque essa baia é um lugar onde chegaram onze animais ao mesmo tempo de um chácara que passava por um situação especial. Nós fizemos hemograma em todos os animais que estavam lá e o estado clínico deles era perfeito. Não tinha nada de errado com eles”, contou ao Jornal Opção.

“Passados cerca de cinco dias, uma cachorrinha foi encontrada com perfurações no peito. Várias perfurações. A baia havia sido lavada às 15h. Quando foi 18h, voltamos para colocar comida e a cachorrinha estava morta”, lembrou. “Chamei a polícia e denunciei ele pela ameaça que ele me fez e aos animais. A polícia pegou os dados dele, fez um Registro de Atendimento Integrado (RAI) e ficou por isso mesmo”, disse.

Mônica e outros protetores fizeram um esquema de vigia na chácara, mas cães continuaram a morrer. “A polícia disse que não podia fazer nada, porque ninguém nunca viu ele e não tínhamos provas”. Segundo ela, no último domingo, a esposa de um dos ajudantes do abrigo viu o homem sair da residência. Mônica chamou a polícia, mas até o momento, não foi tomada nenhuma providência. A dona do abrigo disse temer pela própria vida e pela vida dos animais.

Segundo a doutora Lara Menezes Melo Oliveira, delegada adjunta da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), o caso está sob investigação da polícia. “É de conhecimento. Essa ocorrência foi registrada na polícia de Aparecida de Goiânia, não foi registrada aqui na Dema. Os primeiros eventos foram em 10 de julho, só agora que foi remetida aqui para essa especializada. Nós, a partir de ontem, quando chegou ao nosso conhecimento, já partimos para investigação”, informou.

O responsável pelo crime, após comprovado, poderá ser indiciado e condenado por maus tratos, conforme artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais nº 9605/98, que diz que é criminosa a prática de “ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos” e que “a pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal”.

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