Alzheimer, o mal do século XXI

Uma doença progressiva e silenciosa no início, mas que é capaz de comprometer o comportamento e as vivências simples do dia a dia

Foto: Reprodução

“No início era apenas uma repetição de palavras, depois vieram os esquecimentos, como datas de aniversário e chaves de casa. Posteriormente, a situação se agravara, já não se lembrava dos familiares nem de como executar tarefas simples do dia a dia”. Este é um relato comum de pessoas que têm casos de Alzheimer na família.

O Alzheimer é uma doença degenerativa cerebral primária, que acomete em sua grande maioria os idosos. Sua etiologia ainda é desconhecida e caracteriza-se pela perda de memória e por distúrbios cognitivos causados pela lenta e progressiva destruição das células cerebrais. Os sintomas e os efeitos desta patologia foram descritos pela primeira vez em 1907 pelo psiquiatra e neuropatologista Aloïs Alzheimer, o qual publicou o caso de um paciente que perdeu suas faculdades mentais de forma gradativa em quatro anos.

Tendo como principal fator de risco a idade, o Alzheimer está inserido no grupo de demências que podem acometer indivíduos com idade mais avançada. Nas últimas décadas, a expectativa de vida no Brasil elevou-se drasticamente em virtude do aumento da expectativa de vida, diminuição da mortalidade infantil, melhorias na qualidade de vida, entre outros fatores. Assim, não só o Brasil, mas vários outros países no mundo, principalmente os desenvolvidos, enfrentam um aumento da população idosa, acompanhado de um alargamento do número de casos de doenças neurodegenerativas e demências.

Sob o aspecto neurológico, o mal de Alzheimer, nome pelo qual a doença é conhecida, tem como característica um grande número de placas senis e novelos neurofibilares. Bioquimicamente, existe o acúmulo da proteína b-amilóide nas placas senis e da microtubulina tau nos novelos neurofibrilares. Estas alterações podem ser dectadas em idosos sadios, de forma menos intensa, entretanto. A evolução da doença pode ocorrer entre cinco e dez anos desde o aparecimento dos primeiros sintomas.

A pessoa que começa a apresentar sinais de Alzheimer, a princípio, suspeita que algo esteja-lhe acontecendo, pois tem consciência de seus erros e da perda de memória recente. Com o passar do tempo, os sintomas vão se agravando e a perda de memória vai dando espaço a mudanças de comportamento. Episódios de alteração de humor começam a ser cada vez mais frequentes, como quando a pessoa não se recorda do que acaba de comer, por exemplo.

À medida que a doença vai se desenvolvendo, o enfermo começa a perder a coordenação dos gestos, seus movimentos tornam-se lentos e, gradativamente, vai perdendo também, a memória dos acontecimentos passados. É comum, por exemplo, a pessoa com Alzheimer não reconhecer o próprio cônjuge e filhos.

A doença de Alzheimer até hoje não possui cura nem mesmo um tratamento capaz de minimizar seu desenvolvimento, entretanto, estão sendo estudados alguns medicamentos que podem aliviar os sintomas a fim de melhorar o prognóstico do enfermo, que tem sua expectativa de vida reduzida à terceira parte.

Os elevados gastos socioeconômicos ocasionados pelo aumento dos casos de demência é uma preocupação mundial. Governos e instituições públicas sentem cada dia mais, a necessidade de investimento em pesquisas que auxiliem o diagnóstico e tratamento das pessoas com acometidas por esse mal.

No Brasil, existem grupos de apoio para pessoas que tem casos de Alzheimer na família, como é o caso da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), que proporciona aprendizagem e troca de experiências entre familiares e cuidadores de idosos. Seu objetivo é proporcionar estratégias para superar as dificuldades impostas pela doença e desenvolver novas formas de lidar com a nova rotina familiar.

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