Alunos goianos de Engenharia Civil desenvolvem pesquisa científica em canteiro de obra

Apesar do cenário nacional prever a redução de investimentos para pesquisa científica, instituições privadas propiciam desenvolvimento de estudos no campo da engenharia

Foto: divulgação

Políticas públicas que incentivam a pesquisa e a inovação industrial são essenciais para o desenvolvimento econômico do país.  A maioria dos países desenvolvidos e aqueles que buscam escapar do subdesenvolvimento entenderam essa regra e investem em políticas voltadas a incentivar e acelerar as áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação industrial (PD&I).

Mundialmente o tripé ciência, inovação e tecnologia tem sustentado o crescimento econômico e a melhoria da qualidade de vida. O Brasil, porém, segue na direção contrária. O setor é o principal alvo de cortes orçamentários. São menos bolsas para acadêmicos e pesquisadores, queda acentuada de financiamentos a projetos, que geram visões negativas e uma perspectiva de que o país não tem interesse em construir uma política que realmente subsidie a produção científica para o futuro.

Nos últimos sete anos os cortes governamentais nos recursos para o incentivo a pesquisa – que no país ainda funcionam quase que exclusivamente entre alunos de graduação, mestrado e doutorado de universidades federais – foram gritantes. Em 2010, o valor disponibilizado pelo Governo Federal era de  R$ 10 bilhões; em 2017, o investimento caiu para R$: 4,8 bilhões, com os cortes executados pelo Ministério da Fazenda. Em 2018, o orçamento disponibilizado foi de R$ 1,4 bilhão.

Esses cortes prejudicam diretamente a capacidade de produção do país e ampliam a saída dos pesquisadores brasileiros para outros países em busca de melhores condições para o desenvolvimento das suas atividades. Além da falta de incentivo financeiro, o fato de, no Brasil, a profissão cientista não ser regulamentada faz com que a profissão não seja valorizada e o número de interessados em atuar seja pequeno.

De acordo com a Unesco, o Brasil tem  700 pesquisadores por cada milhão de habitantes, enquanto a China possui 1.100, a Rússia 3.100, a União Europeia 3.200, os Estados Unidos 3.900, Coréia e Singapura 6.400, Israel 8.300. Na América Latina, o Brasil está em segundo lugar, abaixo da Argentina, que tem 1.200 pesquisadores por milhão de habitantes.

A queda do investimento do governo federal está fazendo com que os outros órgãos ligados à pesquisa vejam a realidade com olhos pessimistas, apontando para a queda no número de pesquisadores e na qualidade dos projetos desenvolvidos.  O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), tem destacado que não possui recursos suficientes para manter os pagamentos de bolsas, comprometendo campos de excelência do país — como doenças negligenciadas, exploração de petróleo em águas profundas e produtividade agrícola — e interrompendo a trajetória de 100 mil pesquisadores.

O corte no incentivo à ciência tem comprometido diretamente estudos de combate a doenças como Alzheimer e Parkinson, ao programa espacial e à pesquisa agrícola. As pesquisas com zika, cujo combate foi descoberto no Brasil graças à pesquisa científica brasileira, também sofrem com os cortes e os riscos de uma nova epidemia podem voltar caso os recursos com pesquisa continuem caindo.

Parceria inédita fomenta pesquisa em Goiás

Em contrapartida a esse cenário nacional ruim, um acordo técnico-científico inédito  firmado entre a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e a CINQ Desenvolvimento Imobiliário está promovendo ações de incentivo à pesquisa e a inovação.  A incorporadora, que tem a inovação e a ciência como premissas básicas, vai abrir as portas de suas obras e proporcionar a realização de pesquisas no segmento de engenharia sejam desenvolvidas.

“Não tem como fazer inovação sem fazer pesquisa”, destacou Eduardo Oliveira – um dos diretores da CINQ, ao ser questionado sobre o motivo da parceria com a PUC – GO. Para ele, é na universidade que estão os novos talentos e o conhecimento de ponta. “Inovar é estar a frente e ter dados inéditos de pesquisa em primeira mão nos permitirá isso”, finaliza.

A partir deste semestre, uma primeira turma de 18 alunos da Faculdade de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás) inicia o desenvolvimento de nove linhas de  pesquisa nos dois empreendimentos da CINQ Desenvolvimento Imobiliário que estão sendo construídos na cidade de Aparecida de Goiânia: o Parqville Pinheiros (próximo à região do Garavelo) e o Parqville Jacarandá (próximo ao no centro da cidade).

De acordo com diretor do Curso de Engenharia da universidade, Fábio Simões, é a primeira vez em Goiás que uma parceria, envolvendo uma instituição de ensino e uma empresa privada, é formalizada com o objetivo de desenvolver pesquisa. O diretor destacou ainda que o Ministério da Educação abriu debate para discussão das diretrizes dos cursos de engenharia e que uma das propostas enviadas pela PUC-GO é uma maior aproximação entre a universidade e a iniciativa privada.

“Gostaríamos de uma aproximação maior com o mercado, com as empresas. Temos percebido que essa aproximação faz bastante diferença na formação do aluno e a sua inserção no mercado de trabalho”, destacou Simões ao detalhar a importância da parceria com a CINQ Desenvolvimento Imobiliário.

Qualidade profissional

De acordo com Cybelle Luiza Barbosa Musse, coordenadora de estágio da Escola de Engenharia, a oportunidade aberta pela CINQ irá, mais do que contribuir para a formação profissional dos estudantes, é também uma forma deles terem contato e entenderem as várias nuances da profissão e acompanharem as novas tendências de tecnologias e processos que estão sendo usados no mercado. “O estudante de  engenharia, que tem a chance de participar de um bom programa de estágio e consegue desenvolver pesquisas científicas, saí para o mercado de trabalho com um grande diferencial, tanto em conhecimento técnico, quanto em nível de oportunidade de colocação”, explica a professora ao acrescentar que CINQ traz um perfil de empresa alinhada ao que tem de mais novo na construção. “É uma empresa diferente, voltada para o futuro e para a modernidade. Nossos alunos precisam do contato com essa realidade”, diz.

Cybelle explica que nove linhas de pesquisa serão desenvolvidas em parceria com a CINQ. Em cada linha serão incluídos dois alunos que irão fazer pesquisas para os Trabalhos de Conclusão de Curso e para projetos de iniciação científica. Ainda de acordo com a professora, a parceria não é apenas para a engenharia civil. Segundo ela, outros cursos serão beneficiados como engenharia elétrica, engenharia de produção, engenharia ambiental, engenharia de controle e automação.

Naemy Luiza Cesar, 23, é uma das alunas da PUC que já está desenvolvendo pesquisa na CINQ. Segundo a estudante do 9º período de Engenharia Civil, que está desenvolvendo estudo na área de terraplanagem e pavimentação, a oportunidade de crescimento profissional ao desenvolver este tipo de atividade dentro de uma empresa é muito grande. “Acredito que o que estou aprendendo aqui vai acrescentar bastante na minha formação profissional e ampliar bastante meu networking”, disse a estudante ao destacar que está desenvolvendo o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na mesma área. “Minha monografia é um estudo de caso sobre pavimentação e mobilidade dentro de condomínios fechados. Aqui na CINQ estou tendo tendo oportunidade de verificar muitas informações sobre o assunto”, finaliza.

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