Alterações genéticas apontam riscos para quem sofre de hipertensão arterial, indica estudo

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciências Biológicas da UFG avaliou que associações genéticas podem indicar uma maior vulnerabilidade aos que desenvolvem doenças cardiovasculares

Estudo indica que a hipertensão arterial pode estar relacionada à genética | Foto: divulgação

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição multifatorial que já atinge um terço da população mundial e, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás (UFG), associações genéticas podem apontar riscos para quem sofre da doença.

O estudo foi publicado na revista Plos One e está entre os mais citados em outros artigos dá área. De acordo com a pesquisa, que avaliou 117 pacientes hipertensos, com média de idade 59,7 anos,e em grupo controle de 123 pacientes normotensos e sem diabetes com idade média de 57,5 anos, as chamadas Enzimas Conversoras de Angiotensina (ECA e ECA2), funcionam como reguladoras-chaves da pressão sanguínea que têm funções contrabalanceadoras, agindo sobre os peptídeos vasoativos do Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (RAAS).

Esse sistema possui enzimas, peptídeos e receptores envolvidos no controle do volume de líquido extracelular e na pressão arterial. Polimorfismos genéticos, ou seja, alterações nas sequências de DNA dessas enzimas, têm sido associados à maior suscetibilidade à hipertensão.

Estudos

O estudo de associação genética avaliou dois polimorfismos, um em cada enzima. Os polimorfismos de ECA e ECA2 foram genotipados por meio de dois tipos de técnicas: PCR em tempo real SYBR Green e PCR-RFLP. Na análise inicial, nenhuma associação foi verificada para cada gene individualmente, mas a combinação de polimorfismos de ECA e ECA2 no sexo feminino revelou uma associação significativa e inusitada na literatura científica para portadores do genótipo DD/G_, que tiveram um risco 3 vezes maior para o desenvolvimento de hipertensão arterial com uma suscetibilidade ainda mais forte em portadores do perfil DD/GG, que apresentaram risco sete vezes aumentado à doença. Além disso, também foi verificado que o alelo D da ECA mostrou associação com alterações do perfil lipídico no grupo hipertenso, sendo que os portadores do genótipo DD apresentaram níveis mais elevados de triglicérides e VLDL-colesterol.

Esses achados indicam que a combinação dos efeitos dos polimorfismos de ECA  e ECA2 pode desempenhar um papel na predisposição à hipertensão arterial sistêmica, sendo o genótipo DD/G_ o perfil de suscetibilidade. Esse resultado permite levantar a hipótese de que um aumento da atividade da ECA nos portadores do genótipo DD (efeitos pró-hipertensivos) em conjunto com a redução da atividade da ECA2 nos portadores do genótipo GG (efeitos anti-hipertensivos) poderia ser o mecanismo por trás disso. A associação do alelo D de ECA com alterações lipídicas indica que este pode ser um marcador de mau prognóstico na evolução da hipertensão e contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Embora esses achados preliminares devam ser confirmados por pesquisas futuras, é possível observar que a análise integrativa de ECA e ECA2 pode ser uma ferramenta informativa no entendimento da hipertensão que precisa ser explorada em novos estudos, com potencial de permitir aplicação na medicina personalizada, pelo estabelecimento de marcadores genotípicos de risco na população,além de conduzir a novas estratégias de tratamento a doença que levem em consideração a abordagem combinada dessas duas enzimas, principalmente em pacientes que manifestam formas resistentes de hipertensão arterial.

Financiamento – O estudo foi financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da Saúde (MS) e Sistema Único de Saúde (SUS).

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