“Alegação de bullying é injusta”, rebate advogado da família de vítima de atentado

Representante dos pais de João Pedro Calembro, de 13 anos, que foi morto por um colega de sala, pede agilidade na resolução do caso

André Bueno, advogado da família de João Pedro | Foto: Jornal Opção

O advogado André Bueno, representante da família de João Pedro Calembo, de 13 anos, que foi morto a tiros por um colega de sala em Goiânia, voltou a negar, na manhã desta sexta-feira (27/10), a tese do bullying como motivador do crime.

Após se reunir com o delegado Luiz Gonzaga, responsável pelo caso, o advogado lamentou que a mãe do autor do atentado, de apenas 14 anos, não tenha sido ouvida ainda, mesmo tendo sido intimada.

“Infelizmente a notícia que temos não é boa, a parte que foi devidamente intimada não pode comparecer. Gostaríamos que [o caso] fosse esclarecido o mais rápido possível, a família e a sociedade cobram essa resposta”, disse.

Durante a coletiva de imprensa, Bueno avaliou a demora para a oitiva das partes envolvidas como “lamentável” e revelou que seus clientes, os pais de João Pedro Calembro, serão ouvidos em breve.

Questionado sobre as informações prestadas por colegas de classe de que o atirador teria sido constantemente vítima de piadas e ataques por parte do garoto que representa, o advogado negou veementemente.

“João Pedro, o primeiro a ser vitimado no caso, estava sendo considerado algoz, motivador, que os atos praticados pela criança teriam desencadeado a morte deles […] Alegação de bullying por parte do João Pedro é injusta”, rebateu.

Ainda de acordo com ele, a família tem sido bastante hostilizada em Goiânia, “em especial pelo que foi veiculado de forma indevida na mídia”.

Para o advogado, a luta contra o bullying deve começar em casa e não é possível aceitar que tal prática seja “revidada” com atos de violência.

“João Pedro é uma criança, responsabilidade é dos pais, que são responsáveis dos atos. Acompanhavam, orientavam e educavam o filho. Todos os atos praticados eram monitorados e supervisionados pelos pais por mais que seja difícil essa situação. Fui à escola e me disseram que não há relato de bullying, nem de indisciplina entre ele e os colegas”, arrematou.

O caso 

A tragédia que chocou Goiânia e todo o País aconteceu na última sexta-feira (20) no Colégio Goyases, localizado no Conjunto Riviera, na capital goiana, quando um adolescente de apenas 14 anos abriu fogo contra os colegas de sala, matando dois e deixando quatro feridos.

O garoto, filho de policiais militares, usou uma pistola .40 e, segundo informações de colegas, sofria bullying e era extremamente introvertido.

Dos adolescentes feridos, um já recebeu alta e três permanecem internadas. Uma delas foi alvejada no pulso e recebe tratamento no Hospital de Acidentados. Outra adolescente, M.R.M, de 14 anos, segue internada em um leito de enfermaria do Hugo. O estado de saúde dela é regular, mas não há previsão de alta.

Nesta quarta-feira (25/10), a equipe médica do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) informou que a adolescente I.M.S., de 14 anos, ficou paraplégica. O comprometimento dos membros inferiores já havia sido diagnosticado quando a jovem foi admitida na unidade.

O autor dos disparos está internado após decisão judicial.

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