O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), saiu em defesa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes durante sessão plenária realizada nesta quarta-feira, 25. A manifestação ocorre em meio à repercussão do relatório da Polícia Federal sobre o caso Master, no qual o nome do magistrado foi citado.

Ao comentar as críticas recebidas nos últimos dias, Alcolumbre afirmou estar sendo alvo de “muitas agressões” e fez uma declaração que provocou diferentes interpretações no meio político.

“”Eu vou voltar para a pauta porque senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes”, declarou Alcolumbre.

A fala foi interpretada, nos bastidores, como uma sinalização de que o presidente do Senado não pretende dar andamento a eventuais pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. Ao mesmo tempo, a declaração também foi vista como um recado ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.

Segundo o comentarista da GloboNews Gerson Camarotti, a manifestação de Alcolumbre também chama atenção para as relações mantidas por integrantes do Congresso com Daniel Vorcaro. Entre os parlamentares citados nesse contexto estaria o próprio Flávio Bolsonaro.

Nos bastidores do Legislativo, existe a avaliação de que Vorcaro mantinha proximidade com parlamentares de diferentes partidos, formando uma espécie de bancada suprapartidária. Uma investigação mais ampla sobre essas relações, portanto, poderia atingir diferentes grupos políticos e ampliar consideravelmente o alcance do caso.

Essa articulação política também é apontada como um dos fatores que dificultaram o avanço de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master no primeiro semestre.

Alcolumbre, por sua vez, também enfrenta questionamentos relacionados à Amapá Previdência, fundo responsável pela previdência dos servidores públicos do Estado. A instituição realizou investimentos em títulos ligados ao Banco Master que passaram a ser investigados.

Um dirigente da Amapá Previdência apontado como afilhado político de Alcolumbre acabou afastado do cargo durante as investigações. Ele estava entre os responsáveis pela administração do fundo previdenciário.

Apesar da postura adotada pelo presidente do Senado em relação a Moraes, há entre senadores a avaliação de que a resistência a processos contra ministros do Supremo pode produzir reflexos eleitorais. O movimento pode ser explorado por candidatos de oposição que defendem uma renovação na composição do Senado justamente para ampliar as chances de abertura de processos de impeachment contra integrantes da Corte.

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