África do Sul utiliza Apartheid para atrair turismo e não deixar a história se repetir

Jornal Opção lista quatro atrativos na Cidade do Cabo e em Johanesburgo para entender melhor o regime de segregação sul-africano

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O filósofo irlandês Edmund Burke afirma que “aqueles que não conhecem a história estão destinados a repeti-la”. Na África do Sul, o regime do Apartheid é tido por muitos como algo ainda enraizado na sociedade local – não é muito comum ver grupos de jovens negros e brancos se misturando – e a mancha da segregação na história sul-africana não pode ser esquecida.

O Jornal Opção foi até o país que, ao lado de Brasil, Rússia, Índia e China, compõe o BRICS, grupo para cooperação entre emergentes, e viu que o turismo, importante setor da economia da África do Sul, não é baseado apenas em safaris pela sua vida selvagem. Há interessantíssimas opções, que não atraem exclusivamente estrangeiros, para conhecer mais sobre a história do Apartheid e de um dos maiores símbolos de resistência do mundo: Nelson Mandela.

Uma das capitais da África do Sul é a Cidade do Cabo. “Capitais” no plural porque são três: Pretória é a executiva, Bloemfontein a judiciária e a Cidade do Cabo a legislativa. Do topo do seu principal cartão postal, a Montanha da Mesa, é possível ver a Ilha de Robben a 13km da costa. Considerada hoje Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, o local serviu de prisão para Nelson Mandela e seus companheiros.

Pode-se tomar uma balsa na Cidade do Cabo e, em pouco mais de meia hora, chega-se à ilha, por onde é possível fazer um tour guiado pelos seus principais pontos. O ápice é a prisão – atualmente um museu. Lá, o guia é um ex-prisioneiro. Nelson Mandela ficou preso 18 anos na Ilha de Robben e a passagem pela sua cela minúscula marca o encerramento da visita.

Ahmed Kathrada, outro prisioneiro, disse em 1993 que não queria ver a ilha como um monumento de dificuldade e sofrimento. “Queremos que ela seja um triunfo do espírito humano contra as forças do mal, da sabedoria e grandeza de espírito contra mentes pequenas e mesquinhas e da coragem e determinação sobre fraqueza e fragilidade humana”.

De volta à África do Sul continental, “Free Walking Tours” estão disponíveis na Cidade do Cabo, assim como acontece em diversas outras cidades do mundo. A dinâmica é simples e eficiente: guias locais esperam em um ponto de encontro determinado e de lá iniciam um tour andando pela cidade. Não é necessário pagar nada para se juntar ao grupo, mas ao final da atividade os participantes sempre dão gorjetas.

“Do Apartheid à liberdade” é o tema de um dos tours, que passa pelo Parlamento, Distrito 6 (bairro exclusivo para brancos durante o regime de segregação), Corte de Justiça, momento em que o guia explica as leis do Apartheid, e, finalmente, a prefeitura, de onde Mandela proferiu seu primeiro discurso após ter sido solto em 1990.

Apesar de não ser nenhuma das capitais, Johanesburgo é, por sua vez, a cidade mais populosa da África do Sul e, além disso, local de nascimento de Nelson Mandela. É indispensável conhecer o Museu do Apartheid. Logo na entrada, os visitantes são divididos entre “brancos” e “não brancos” de acordo com o seu tíquete. Em seguida, todos se juntam e assim prossegue o mergulho na trajetória do Apartheid.

O quarto de Mandela

Em Soweto, na região metropolitana de Johanesburgo, a casa onde Mandela morou informa os visitantes sobre a sua história tanto em um contexto familiar quanto de sua vida como um todo.

Para o primeiro presidente democraticamente eleito da África do Sul, a casa é o “oposto de grande”, mas foi sua primeira e o fazia se sentir extremamente orgulhoso – sentimento nutrido pelos sul-africanos, brancos e negros, por terem-no tido como líder.

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