Afetados com cortes, celetistas do Crer organizam paralisação

Funcionários estão mobilizados para buscar respaldo do Sindsaúde na próxima segunda-feira


Centro de Reabilitação e Readaptação Dr Henrique Santillo (Crer) / Foto: Divulgação

Funcionários do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr Henrique Santillo (Crer) de Goiânia foram “surpreendidos” com anúncios de cortes ­de gratificações nos últimos dias. O relato é de uma funcionária do hospital que preferiu não se identificar. A servidora da Associação Goiana de Integralização e Reabilitação (Agir) – Organização Social (OS) responsável pela administração da unidade de saúde – também afirmou que os profissionais se organizaram para uma possível paralisação dos trabalhos na próxima segunda-feira, 1.

“Nós perdemos direitos e estamos organizados para reverter essa situação. Alguns querem a paralisação total do serviço, mas iremos conversar, primeiramente, com o sindicato na segunda-feira. Dependendo do respaldo que tivermos, e se a Agir não se manifestar, suspenderemos nossas atividades por completo”, ressaltou a servidora.

Ela também assegurou que funcionários dos demais hospitais geridos pela OS – Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) e Hospital Estadual de Dermatologia Sanitária e Reabilitação Santa Marta (HDS) – também foram atingidos.

“O Crer recebia uma verba ‘x’ da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). Eles nos visitaram e disseram que a partir de agora esse valor será muito menor”. Segundo a profissional, haverão cortes no quinquênio, triênio e assiduidade dos servidores. Os valores relativos a insalubridades também foram impactados: “reduziram de 20% para 10%”. Estima-se que a mobilização conte com o apoio de aproximadamente 200 funcionários da unidade.

Procurada pelo Jornal Opção, a SES-GO informou que está sendo finalizada a revisão do contrato entre a pasta e a Organização Social de Saúde Agir. “Essa revisão busca adaptar alguns pontos contratuais, com redução de custos e ampliação das metas de serviços oferecidos na unidade. Em relação aos cortes de benefícios entre a OSS Agir e seus colaboradores, a decisão é da própria organização social, sem nenhuma interferência contratual da SES-GO”, argumentou.

Outras queixas

A funcionária também alegou à reportagem que o plano de saúde aumentou drasticamente sem nenhum aviso prévio. “O meu, por exemplo, saiu de R$ 78,00 para R$ 190,00”. “As perdas se arrastam desde a greve dos caminhoneiros no ano passado. De lá para cá, eles não param de tirar nossos direitos”.

Segundo informações obtidas pela reportagem, anteriormente, o valor referente ao plano era rateado entre funcionário e OS. Agora, o desconto do valor é integralmente pago pelos profissionais por meio de desconto direto na folha de pagamento.  

O impacto recaiu, inclusive, sobre a alimentação dos funcionários. Outro servidor da unidade confirmou que o benefício foi retirado. “Antes a gente comia e eles descontavam na folha, agora nem isso. Somos proibidos de levar alimentos, pois temos que obedecer a uma norma de regulamentação que proíbe a entrada de alimentos que podem proliferar bactérias nos hospitais”, conta antes de, por fim, indagar: “Como é que a gente faz?”.

4 respostas para “Afetados com cortes, celetistas do Crer organizam paralisação”

  1. Marcela Prudente disse:

    O governador tem q exonerar os comissionados do tce

  2. Marcela Prudente disse:

    Apadrinhados do Tce, só tem do Marconi e ai?

  3. ziro disse:

    FUNCIONÁRIO DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL TEM PLANO PRIVADO DE SAÚDE. Paralisação total do serviço de atendimento da saúde à população é medida autoritária, contra o cidadão. Espero que não punam a população que paga uma das maiores cargas tributárias do planeta, que deveria receber serviços públicos de excelência. É incompreensível servidor da saúde pública falar em aumento de seus planos privados de saúde, que país é esse gente?

  4. Daniel disse:

    Engraçado é a SES falar que não tem nada haver com isso, se tem corte no contrato simplesmente por cortar, de onde é que a OS vai tirar o dinheiro? Justamente do funcionário a parte mais fraca do processo, cortando e diminuindo salário, insalubridade, plano de saúde, assiduidade, alimentação (que é necessária em hospitais), etc. Caiado e companhia tão conseguindo piorar a saúde de Goiás!

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